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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Este texto me fez chorar - O Natal não é para os covardes


Talvez eu tenha falhado comigo este tempo todo. Talvez eu tenha perguntado à Deus onde eu tenha errado. Provavelmente Ele me respondeu, através de minha esposa, de meus filhos , da minha mãe e sua resistência inabalável na luta contra a depressão, à solidão, ao despreparo para a vida moderna. 
Provavelmente eu tenha ouvido.

 Certamente eu não entendi, como verme que sou. Lembro-me perfeitamente de me "orgulhar " de ser um homem de "pouca fé", o que já na época era algo vergonhoso, hoje , então, confrontado com algo  além da Bíblia (a qual não adianta ler sem pedir ajuda a Deus para entendê-la), enche-se o cálice da miséria e da vergonha dentro de mim.

Não posso culpar Aristóteles ou Descartes por isso, seria empurrar a culpa para os mortos. a Culpa é minha tão somente e este erro causou danos irreparáveis na vida de quem eu amo.


Peço perdão. Por favor, me perdoem, tentarei não ser tão pequeno daqui pra frente.

Perdão, meu Deus. Não consegui te agradar por todos estes anos. 

E mesmo assim Tu insistes em me amar.


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O Natal não é para os covardes
Olavo de CarvalhoJornal do Brasil, 22 de dezembro de 2005

Na constituição americana não há nenhum “muro de separação” entre religião e Estado. Quando Thomas Jefferson criou essa expressão, foi para proteger as igrejas contra o Estado. É só num mundo pós-orwelliano que ela pode ser usada como pretexto para legitimar a repressão estatal da religião.
Mas o confinamento mesmo de Deus na esfera “religiosa”, Sua exclusão dos debates científicos e filosóficos, que hoje até mesmo os religiosos aceitam como cláusula pétrea da ordem pública, já é uma herança mórbida da estupidez iluminista.

 O “muro de separação” entre conhecimento e fé é uma farsa kantiana erguida entre dois estereótipos.
Afinal, por que um sujeito tem fé na Bíblia? Tem porque acha que ela é a Palavra de Deus. Mas por que ele acha que ela é a palavra de Deus? É porque tem fé nela? Esse círculo vicioso exigiria uma capacidade de aposta no escuro que transcende os recursos da média humana. 

A fé não surge do nada, muito menos da própria fé. É preciso um indício, um sinal, um motivo racionalmente aceitável para acender na alma a chama da confiança em Deus. A definição mesma da “fé” como crença numa doutrina é perversão do sentido da palavra. A doutrina cristã formou-se ao longo dos séculos. Os primeiros fiéis confiaram em Jesus antes de saber nada a respeito dela. Não acreditavam numa doutrina, confiavam num homem. 

E por que confiavam nele? Ele próprio explicou isso. Quando João Batista, da cadeia, manda perguntar se Ele é o enviado de Deus ou se seria preciso esperar por outro, Jesus não responde com nenhuma doutrina, mas com fatos: “ Vão e contem a João as coisas que vocês ouvem e vêem: os cegos enxergam, e os paralíticos andam; os leprosos ficam limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e os pobres recebem boas notícias. E bem-aventurado é aquele que não se ofende comigo.” O que esses versículos ensinam é que a fé é apenas a confiança em que Aquele que devolveu a vida a alguns mortos pode devolvê-la a muitos mais.

 É um simples raciocínio indutivo, um ato da inteligência racional fundado no conhecimento dos fatos e não uma aposta no escuro. A única diferença entre ele e qualquer outro raciocínio indutivo é que a conclusão a que ele conduz traz em si uma esperança tão luminosa que toda a tristeza e o negativismo acumulados na alma se recusam a aceitá-la.

 A alma prefere apegar-se à tristeza e ao negativismo porque são seus velhos conhecidos. São a segurança da depressão rotineira contra o apelo da razão à ousadia da confiança. O que se opõe à fé não é a razão, é a covardia. Para legitimar essa covardia ergueram-se masmorras de pseudo-argumentos. No fundo delas, o leproso lambe suas chagas, o cego adora sua cegueira, o paralítico celebra a impossibilidade de caminhar. Os pobres, imaginando-se reis e príncipes, festejam a rejeição da boa notícia. 

Orgulhosos da sua impotência, adornam com o nome de “ciência” a teimosia de negar os fatos.
Mas seu exemplo não frutifica. 

Setenta e cinco por cento dos médicos americanos acreditam em curas miraculosas. Acreditam não só porque as vêem, dia após dia, mas porque sabem ou ao menos pressentem que atribui-las à auto-sugestão ou à coincidência seria destruir, no ato, a possibilidade mesma da pesquisa científica em medicina, que se baseia inteiramente no pressuposto de que auto-sugestão e coincidência não têm um poder maior que a intervenção terapêutica fundada no conhecimento racional das causas.

O maior escândalo intelectual de todos os tempos é a fraude constitutiva da modernidade, que, excluindo do exame todos os fatos que não tenham uma explicação materialista, conclui que todos os fatos têm uma explicação materialista.

A dose de miséria mental em que um sujeito precisa estar mergulhado para gostar desse lixo não é pequena. 


O Natal é o lembrete cíclico de que esse destino não é obrigatório, de que existe a esperança racional de alguma coisa melhor. Por isso há quem deseje eliminá-lo: para que o chamado da esperança não fira o orgulho dos covardes.

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