terça-feira, 14 de julho de 2015

Entrevista com o filósofo Roger Scruton

Entrevista com o filósofo Roger Scruton



Artigo publicado originalmente na 7ª edição da Revista Vila Nova, em junho de 2013
O que é a “franqueza britânica”? Se não é verdade que todos os britânicos a possuem, é fato que o filósofo inglês Roger Scruton é portador de uma sinceridade sem igual. Um dos pensadores mais famosos da atualidade, Scruton é conhecido na Europa como o “enfantterrible” da Filosofia, defensor de idéias polêmicas mas, na verdade, muito antigas – sua polêmica vêm de serem clássicas.
Roger Scruton é autor de mais de 30 livros de Filosofia, dois romances, compositor de duas óperas e já fez documentários para a BBC de Londres. Professor há muitos anos, não há quem saia de suas aulas sem algum espanto pela sua erudição, que caminha tranqüila dos primórdios da Filosofia até os dias atuais.
Scruton é sempre convidado para as principais rodas de debate intelectual na Europa e no mundo inteiro. Uma palavra autorizada se se quer ouvir algo diferente.
Foi também convidado pela Revista Vila Nova para uma entrevista, que ele gentilmente concedeu. O resultado vem a seguir.

Você é filósofo e um dos seus principais objetos de estudo é a Estética. De onde surgiu esse desejo de se questionar sobre a Beleza?
Eu descobri a arte, a música e a literatura quando era adolescente e fiquei intrigado com seu poder e seus significados. Por que elas têm um efeito tão profundo e transformador em nós e o que elas dizem sobre o mundo em que vivemos?
Qual o lugar da Beleza em nossas vidas?
Cabe a você decidir o lugar que a beleza pode ter em sua vida. Ultimamente, entretanto, a beleza abre um caminho à reconciliação, à aceitação do mundo como um lar e ao reconhecimento de que pertencemos a ele, com a tarefa de cuidar do que vamos encontrar.
Em seu documentário para a BBC de Londres, “Why Beauty Matters?” (“Por que a Beleza importa?”), você cita Oscar Wilde: “Toda beleza é absolutamente inútil”. Qual o sentido da inutilidade da Beleza? Os homens precisam de “valores inúteis”?
Todas as coisas mais importantes da vida são inúteis: amor, amizade, devoção, paz – essas são coisas que apreciamos pelo que são e não pelo uso que podemos fazer delas. Sim, nós precisamos de coisas inúteis uma vez que precisamos aprender como encontrar valores intrínsecos. E então o mundo tem um significado para nós e não apenas uma utilidade.
De certa forma, esse culto da utilidade também atingiu a Filosofia e a Religião, não?
Sim, o culto à utilidade assola o nosso mundo, minando até mesmo as coisas contra as quais as pessoas têm tentado erguer barreiras. Parte do problema é o domínio da tecnologia que nos influencia a pensar que todo o conhecimento e todas as descobertas dizem respeito a modos de manipular o mundo e o moldar a nossos propósitos. Mas há também o contemplar o mundo, encontrar nossa paz e consolo nele.
Você fala que a arquitetura moderna foi o maior crime já consumado contra a Beleza. Por quê?
Eu acho que você só tem que usar seus olhos para ver o que quero dizer. É um estilo de arquitetura que surgiu colocando a função, a utilidade e os efeitos de curto prazo no lugar do povoamento, da permanência e da moradia. A arquitetura moderna é um tipo de “falta de lar”, uma profanação à morada humana.
Sobrará algo de valor da arquitetura e da arte moderna?
Sim. Existe boa arquitetura moderna também – as casas de Frank Lloyd Wright, a capela de Ronchamp e muitos outros exemplos. Mas estão em uma escala pequena, quase objetos artesanais que retornam à verdadeira meta da arquitetura, que não é se destacar, obliterar e colocar o mundo em uma grade de linhas horizontais, mas adequar-se, harmonizar-se para tratar a Terra e seus contornos como um lugar de moradia.
Do mesmo modo, existe boa arte moderna e esta ainda está sendo produzida por esses pintores figurativos que reconhecem a necessidade de mostrar o significado interior de nosso mundo.
Uma de suas teses em “Why Beauty Matters?” é que a cultura pós-moderna não quer mostrar a realidade; quer se vingar dela. Como se dá isso?
Quando as pessoas são incapazes de encontrar consolação, elas se vingam de si mesmas e do mundo tentando mostrar que a consolação é impossível. Nós projetamos nossas próprias falhas morais no mundo de forma a nos provermos de uma desculpa para ter estas falhas. Assim, quando as pessoas são incapazes de amar, elas descrevem o próprio mundo como “sem amor” e “impossível de ser amado”.
E qual a relação entre Beleza e Amor?
A Beleza é um objeto do Amor e quando as pessoas permitem que o espírito do amor cresça nelas, elas também se abrem para a beleza. Isso é conhecido desde Platão, mas como explicá-lo exatamente e em termos sóbrios e realísticos é uma das grandes missões da filosofia.
Durante muito tempo a arte foi usada como meio de comunicar o Sagrado, mas hoje não mais. Beleza e Religião se comunicam?
O Sagrado e o Belo estão conectados em nossos sentimentos – ambos nos mandam ficar atrás, ser humildes e abandonar nosso desejo inato de poluir e destruir. Eu penso que vários artistas hoje, independentemente de terem ou não crenças religiosas, têm um senso de que o que há de melhor em sua arte é o ato de consagração. Você encontra esse tema nos quartetos de cordas de George Rochber, na arquitetura de Quinlan Terry, nas pinturas de Andrew Wyeth.
Você montava universidades clandestinas na Europa Central em plena época de comunismo soviético. Como foi essa experiência? O que faziam por lá?
Foi uma experiência inspiradora ensinar jovens que queriam aprender, que viram o aprendizado e a verdade conectados e que reconheceram que a verdade pode ser perigosa. Meus colegas e eu fizemos nosso melhor para providenciar uma educação humana e geral, trabalhando secretamente em casas particulares. A história é, entretanto, muito longa e complexa para ser contada rapidamente. Ela já foi escrita por Barbara Day em The Velvet Philosophers (N.E. “Os Filósofos de Veludo”, sem tradução para o Brasil).
Hoje parece que quem queira ter uma verdadeira cultura universitária também precisa ser clandestino. Quem foge do establishment e da “cultura oficial” está fadado ao fracasso nas universidades. Pelo menos aqui no Brasil essa parece ser a realidade. O que você tem a dizer sobre isso?
Você está certo e isso é algo que eu aprendi através do trabalho clandestino no Leste Europeu. Educação real sempre é, em certa medida, subversiva. A posição padrão da humanidade é a conformidade ideológica e a busca da verdade é sempre ameaçadora. Hoje nós vivemos em um mundo com valores socialistas moderados, aceitação acrítica da igualdade e uma suspeita institucionalizada para com o sucesso, a distinção e a alta cultura; este tipo de coisa tomou conta de nossas universidades. Hereges são perseguidos, como sempre foram, e os mesmos têm que trabalhar secretamente ou em algum grau de privacidade. Mas eles também se alegram com isso, pois esta é a prova de que estão certos.
Você escreveu um livro chamado “A Political Philosophy: Arguments for Conservatism” (N.E. “Uma Filosofia Política: Argumentos para o Conservadorismo”, sem tradução para o Brasil). Afinal, quais são os argumentos para o conservadorismo?
Aqui está a minha resposta mais curta: conservadorismo significa encontrar o que você ama e agir para proteger isso. A alternativa é encontrar o que você odeia e tentar destruir. Certamente a primeira alternativa é um modo melhor de viver do que a segunda.
Sobre o Islã e o Ocidente. A relação entre os dois nunca parece ser muita harmoniosa. Por que existe esse “choque”?
O conflito fundamental é entre, de um lado, uma religião que deseja ser também um sistema completo de governo fundada em um Direito sagrado e, do outro, sociedades que, enquanto fundadas em uma revelação religiosa, fazem suas Leis e seu governo para si mesmas. O Islã não pode aceitar a jurisdição secular e não pode tolerar formas de governo que marginalizem a obediência religiosa. Por isso não pode, no fim, aceitar o mundo moderno.
O Papa Bento XVI insistia muito em recuperar as raízes cristãs do Ocidente. Em sua opinião, há lugar para o Cristianismo na nova cultura ocidental?
Claro. A cultura ocidental é uma criação do Cristianismo. Retire o Cristianismo e o que sobra de Dante, Chaucer, Shakespeare, Racine, Victoria, Bach, Titian, Tintoretto…? E isso ainda é verdadeiro hoje. Nossa cultura é fundada na visão central do Cristianismo, que santifica o sofrimento, o dever do perdão, o ideal da caridade e a visão da Virgem Maria, que guiou nossa concepção do sexo.
O que conhece da cultura intelectual e filosófica do Brasil?
Nada, a não ser a música de Villa Lobos e Luiz Bonfá, além do filme Orfeu Negro, que foi feito, entretanto, por um francês. E, é claro, tem também Brasília, aquele ícone internacional da alienação urbana.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Um país que ama comunismo se encontrando com a iniciativa privada: só sai pancada...


O desabafo de um empresário...
"Quer me chamar de coxinha, paneleiro, elite branca, bebedor de Black Label (parabéns pra esse último! Sensacional!)...
Ok. Acho até divertido...
Mas faz um favor para o seu país antes!
Emprega alguém!
Na CLT!
Paga tudo direitinho!
Pega toda a sua grana e coloca na sua ideia...
No seu negócio.
Pega um financiamento, com a maior taxa de juros do mundo, e arrisca seu pescoço na sua iniciativa...
Aluga um escritório ou uma loja!
Compra um estoque!
Corre o risco de verdade!
Se o governo tirar o incentivo para o consumo, não desanima...
Pega outro empréstimo, com a maior taxa que o mundo moderno já viu!
Paga os juros do primeiro empréstimo com outro empréstimo!
E vai com fé na sua ideia!
Paga o décimo terceiro e as férias do teu funcionário!
Sem vender merda nenhuma em Dezembro... Janeiro... Fevereiro...
Nem no mais lindo Carnaval do mundo, quando todo mundo para de trabalhar...
Ou na Copa das Copas que te deu 12 dias úteis num mês corrente...
Paga mais para os teus fornecedores, já que os seus custos também aumentaram devido à energia, gasolina e dólar...
Mas, diminui o seu preço, pra tentar ser competitivo numa economia recessiva...
Então, tenta fazer com que uma estrutura enxuta seja perene. Acaba com sua eficiência!
Vai ser difícil, já que o seu cliente está quebrado e não pode te pagar mais...
E corre o risco de quebrar de vez, perdendo todo capital que você investiu...
Fez tudo isso?
Então beleza!!!
Me chama do que quiser... Você é um herói e não me interessa qual partido apoia!
Tem o meu respeito!!!
Não fez nada disso?
É político de carreira?
Está encostado em alguma bolsa?
Mama na teta do governo?
É vagabundo?
... E pensa que pode falar sobre patrão e empregado, classes sociais, oportunidades e exploração da cadeia produtiva...
Desculpa, mas... Cala a boca!" E vá pra puta que o pariu...
.... Só entende esse texto quem está no ramo do comércio, é empresário, é autônomo!!!!

segunda-feira, 30 de março de 2015

Liberdade de Expressão. Não no Brasil.

Bem, venho convivendo com pessoas muito diferentes e sem ter problemas ao viver com elas por todos estes anos.

Curiosamente, a partir do advento do Facebook, onde se pode colocar claramente o que se pensa, começaram os meus problemas com coisas que eu julgava entender, mas que vejo pela opinião de várias pessoas que eu não entendo nada disso, estive equivocado por todo este tempo.

Eu não sei o que é liberdade de opinião.

Há muito tempo eu entendia liberdade de opinião como sendo o direito inalienável de cada indivíduo de expressar o que acha sobre qualquer coisa, doa a quem doer.

Isto, obviamente, não tem a ver com acusar alguém de algo ("minha opinião é de que alguns políticos são ladrões e ser ladrão é crime, logo, se eu os acuso, devo provar que o são, ou a lei se volta contra minha acusação se fundamento), mas tem a ver com pode ser sincero a respeito de algum assunto.

Eu achava (que tolo sou...) que a constituição brasileira pelo menos neste ponto tivesse acertado ao macaquear a primeira emenda do Bill of rights, mesmo sem ter noção da profundidade do tema.

Pelo visto eu estava errado.

A liberdade de opinião é relativa.

A liberdade de opinião é limitada.

A liberdade de opinião deve ser freada ou você cometerá um crime. DISCURSO DE ÓDIO!

pode ser de ódio,
pode ser de racismo,
pode ser de apologia a algo criminoso ou não muito aceito pela sociedade .

Eu, na minha ignorância filosófica, entendia que o direito de pensar fosse livre, mas se meu pensamento não pode ter conclusão livre, chegamos numa encruzilhada que eu jamais havia vislumbrado.

Chegamos à proibição de opinião livre.



Pois opinião não pode contrariar outra opinião.
Pois opinião não pode ofender outra opinião.

Pois opinião não pode se opor a outra opinião.


Eu jurava, estes anos todos , que este é o conceito de crime de opinião, tão utilizado em países ditatoriais.

Este pessoal se autointitula CHARLIE, em alusão aos repóerteres e desenhistas do Charlie Hebdo, jornal que publicava livremente charges sobre tudo e todos, inclusive sobre temas tabu no Barsil: religião e futebol.

Vi alguns desenhos dos caras e muitos achei ofensivos. Me senti ofendido com eles.

Mas pelo que eu entendia do que se tratava de liberdade de expressão, não posso fazer nada a não ser ignorar, pois esta é a opinião deles. E a opinião deles merece ser respeitada.


Mas a minha não.

Posso ser preso por emitir a minha opinião em público, um amigo realmente desinteressado me recomendou mais cautela.

Afinal, estou no Brasil,  onde todos são Charlie, mas também onde a liberdade de expressão é relativa, limitada e deve ser freada ou você estará entrando no "discurso de ódio"

VIVO NUM PAÍS ONDE UMA OPINIÃO NÃO PESSOAL, NÃO DIRIGIDA A ALGUÉM,  PODE SER CRIME.

 E CRIME DE ÓDIO.


Quero citar (se não for crime, claro) a opinião do Sr. Olavo de Carvalho, retirada do seu texto "Não é caso pra rir", sobre liberdade de expressão. 

O texto pode ser lido na íntegra, mas vou me utilizar apenas do que está escrito abaixo  http://www.olavodecarvalho.org/semana/051215jb.htm:


 "A Constituição, por sua vez (art. 220), não coloca nenhum limite ao exercício da liberdade de expressão, muito menos em nome de algum “princípio de proporcionalidade”.

 Fala-se em proporcionalidade quando o direito de um está condicionado ao exercício do mesmo direito por outro
Por exemplo, o direito a certos bens de uso comum: se você se pendura num telefone público o dia inteiro, está impedindo os outros de usá-lo. 
Mas é impossível que o simples exercício da liberdade de expressão por um indivíduo ou grupo impeça os outros de se entregarem ao mesmo exercício

Que um sujeito diga “a” ou “b” não constitui jamais obstáculo a que outro diga “c” ou “d”. Que um cristão publique um livro contra a religião alheia não impede que se publiquem livros contra o cristianismo, como aliás se publicam aos milhares, e violentíssimos, sem que isso aparentemente magoe a delicada sensibilidade jurídica"



Eu acredito que a pior tirania, a pior ditadura é a ditadura imposta em nome da liberdade.









terça-feira, 17 de março de 2015

Homossexuais Dolce e Gabbana reafirmam defesa da família natural e rechaçam boicote gay de Elton John

Homossexuais Dolce e Gabbana reafirmam defesa da família natural e rechaçam boicote gay de Elton John


http://www.acidigital.com/noticias/homossexuais-dolce-e-gabbana-reafirmam-defesa-de-familia-natural-e-rechacam-boicote-gay-de-elton-john-42218/


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Stefano Gabbana e Domenico Dolce / Foto Instagram @stefanogabbana
ROMA, 16 Mar. 15 / 07:09 pm (ACI/EWTN Noticias).-
Domenico Dolce e Stefano Gabbana, famosos estilistas homossexuais italianos, reiteraram sua defesa da família natural formada por pai e mãe, após o cantor gay Elton John lançar um boicote contra a grife; algo que mostra –indicaram- que há “alguns gays que são homófobos: aqueles que ofendem outros gays que expressam ideias diferentes”.
 
"Sou siciliano e cresci com um modelo de família tradicional, formado por uma mãe, um pai e um filho. Sei que existem outras realidades e é justo que existam, mas minha visão da vida é o que me transmitiram", explicou Dolce, em declaração à imprensa italiana nesta segunda-feira.
 
A resposta veio após a entrevista concedida na semana passada à revista italiana Panorama, na qual Gabbana afirmou que “a família não é uma moda passageira. Nela há um sentido de pertença sobrenatural”.
 
No mesmo dia, Domenico Dolce também se expressou a favor da família natural. “Nós não inventamos a família. Converteu-a em um ícone a Sagrada Família. E não é questão de religião ou estado social, não tem jeito: você nasce e tem um pai e uma mãe. Ou ao menos deveria ser assim”, indicou.
 
Do mesmo modo Dolce expressou sua oposição à fecundação in vitro. “Procriar deve ser um ato de amor. Hoje nem sequer os psiquiatras estão preparados para confrontar os efeitos destas experiências”, assinalou.
 
Estas declarações provocaram a ira do cantor homossexual Elton John, quem tem dois filhos por fecundação in vitro e que lançou um boicote contra a marca Dolce&Gabbana, ao qual se somaram outros gays como Ricky Martin.
 
Intolerante e autoritário
 
Diante da polêmica, Stefano Gabbana qualificou que o boicote contra sua marca só demonstra que há “intolerância às opiniões diferentes”. “Eu te condeno porque você não pensa como eu?? Loucura!!! É como se eu boicotasse ele (Elton John) porque teve dois filhos (com fecundação) in vitro!! Não sou um idiota!!! Tolerância”, escreveu Gabbana em sua conta oficial do Instagram.
 
Dolce, por sua parte, apoiou Steffano Gabbana e recordou que cresceu em uma família natural com pai e mãe: “minha visão da vida é o que me transmitiram”. "Eu cresci assim, isso não quer dizer que não aprove outras opções. Eu falei por mim, sem julgar as decisões de outros", adicionou.
 
Do mesmo modo, em declarações ao Corriere della Sera, Gabbana chamou de “fascista” o cantor Elton John por ver “de um modo autoritário as coisas”.
 
“Não esperava (esta reação) de uma pessoa a que considerava inteligente como Elton John. Mas, como pode? Prega-se compreensão, prega-se tolerância e depois nós agredimos?, Só porque outro pensa de forma diferente?”, questionou.
 
O estilista voltou a defender as opiniões de ambos em defesa da família natural. “Existe diferentes opções, diferentes vidas. Igual respeito. Mas vejo que há, especialmente na Internet, alguns gays homófobos: aqueles que ofendem outros gays que expressam ideias diferentes”, assinalou Gabbana, que brincou sobre o boicote ao dizer que “possivelmente” percam "algum fã do Elton John" mas "talvez" ganhem "alguma mãe".

terça-feira, 10 de março de 2015

Mainardi explica o porquê somos assim.

Diogo Mainardi Porcentagens lulistas


"De acordo com dados do Ibope, 83% dos
brasileiros se consideraram satisfeitos ou
muito satisfeitos com a vida.
 O número é duas
vezes maior 
do que o total de pessoas atendidas
pela rede de esgoto – 40%.
 Há felicidade sem esgoto"


Se Lula é o povo e o povo é Lula, é bom saber como pensa o povo. Alguns dias atrás, o Ibope divulgou que 71% dos brasileiros aprovavam Lula. Os lulistas comemoraram o resultado. Em dezembro de 1998, 58% dos brasileiros aprovavam Fernando Henrique Cardoso. O povo aprova o presidente. Quem quer que ele seja.


Outra pesquisa do Ibope indicou que 75% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos, demonstrando incapacidade para compreender um enunciado simples. Na pesquisa anterior, o porcentual era ligeiramente maior: 76%. A escrita foi introduzida no Brasil há mais de 500 anos. Logo conseguiremos dominá-la.


Ao mesmo tempo em que 75% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos, 84% declararam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a qualidade do ensino público. 75% dos pais e alunos pediram apenas uma mudança no currículo escolar: o ensinamento do criacionismo no lugar do darwinismo.


O Ibope mostrou também que 96% dos brasileiros desconheciam o significado do termo holocausto. 37% declararam repudiar a idéia de ter um vizinho judeu. O número só foi inferior aos que disseram repudiar a idéia de ter um vizinho cigano – 51%.



Indagados sobre o meio de transporte mais seguro, 51% dos brasileiros escolheram o ônibus. Segundo uma pesquisa do SOS Estradas, os acidentes com ônibus matam cerca de 2.400 pessoas por ano no Brasil.


82% dos eleitores manifestaram seu descontentamento com a democracia. A maior parte deles se encontrava no Nordeste, nas camadas de menor escolaridade e renda.
De acordo com os dados do Ibope, 83% dos brasileiros se consideraram satisfeitos ou muito satisfeitos com a vida. O número é duas vezes maior do que o total de pessoas atendidas pela rede de esgoto – 40%. Há felicidade sem esgoto.



Uma pesquisa realizada entre os leitores de Época elegeu Chico Xavier como o maior brasileiro de todos os tempos.


Pela primeira vez em catorze anos, aumentou o trabalho infantil no Brasil. Segundo a mais recente pesquisa do Pnad, o total de crianças empregadas passou de 7,33% em 2004 para 7,8% em 2005. Ignora-se se elas estavam entre os 89% de brasileiros otimistas ou muito otimistas quanto a 2007.


Lula é o povo. O povo é Lula. Os lulistas recomendam que a imprensa siga o povo. Seguindo o povo, ela seguirá Lula. O lulista Bernardo Kucinski argumentou: "Os colunistas se engajaram ativamente na campanha contra Lula. Isso é um fato. Lula foi eleito por ampla maioria. É outro fato. E os dois fatos apontam para um descolamento dos colunistas em relação ao sentimento da maioria da população".




Nestes tempos de lulismo, estou cada dia mais incapaz de entender um enunciado simples.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sobre o senhor dos infernos e eu.



Vê a foto acima?, É a representação do rapto de Prosérpina, até então denominada Core. Esta escultura foi feita a cerca de 400 anos atrás pelo meu escultor preferido Gian Lorenzo Bernini, filho de Pietro Bernini, escultor também. Mas Bernini é o melhor. Seu mármore parece pele humana.

Esta foto me traz duas preferências unidas. Uma é o escultor  napolitano, já rapidamente descrito, a outra é Hades, o invisível, rei dos infernos, na mitologia grega. O mais ignorado dos três irmãos olímpicos, o menos falado, o mais temido.

"O vermelho de suas vestes destaca-se no fundo das trevas de seus domínios. Não ostenta ornatos, porém. Não chora nem sorri. No rosto pálido, esquecido da luz, carrega apenas a cansada indiferença de quem já se acostumou a pronunciar a palavra final".

Assim o senhor invisível é descrito num dos livros que possuo. 

Admiro Hades muito mais dentre todos os irmãos olímpicos. Talvez pela parte que lhe coube na partilha do mundo, não tão digna de ostentação ou pompa como o que ficou destinado a Zeus ou poética e vasta, profunda e azul como o quinhão de Poseidon, mas discreta e terrivelmente fatal, desconhecida e obscura. Hades escolheu governar o reino para onde todos irão no final e, paradoxalmente para onde ninguém anseia ir.
Hades possui uma miríade se seres que o auxiliam, mesmo até fora e antes de sua jurisdição, como as Moiras, poderosas filhas de Nix, e as Queres. Juntamente as divindades vindicatórias, temidas até por Zeus, cujo nome de sua mãe não chega a pronunciar e os homens temem pronunciar-lhes o nome, chamando-as de Eumenidae, as bondosas. Estas divindades, já atuam no momento do nascimento, seja fiando o fio da vida do ser humano, seja tecendo e entrelaçando os fios e criando a história de um homem, deixando à sua escolha as encruzilhadas e caminhos que ele tem para decidir, trilhar e pagar por isso, pois sempre que uma escolha é feita, esta deve ter seu preço pago, seja em labuta, sorriso ou lágrima, bem como ao fim da jornada da vida uma Moira irá lhe cortar o fio com uma tesoura afiada.

Após o fim da jornada terrena uma longa jornada pelo rio do esquecimento, guiada por um barqueiro silencioso e rude. Não são poucas as almas que aproveitam para beber um pouco da água libertadora do Estige, para se livrar da dor.


Hades é, por obrigação de ofício, fatalista, direto, lacônico. Mas também é justo, limpo, correto, equilibrado. Ladeado por 3 juízes, Minos, Éaco e Radamanto, seu juízo final vem após a avaliação minuciosa destes 3 senhores, de forma a solidificar o veredictum finis. após sua fala, nada mais deve ser dito. A maior representação do significado da palavra Final lhe cabe. Aos outros, a alegria pela compensação de uma vida justa ou o choro e ranger de dentes dos condenados em vida ao tártaro, pois Hades não os condena, Hades não decide. Apenas recompensa aos que em vida fizeram por merecer.
Hades é simples.

Compartilho, além da simpatia pela pessoa mítica e sua representação o gosto pelo não ostentar ornatos e a simpatia pela fatalidade na argumentação e no viver. Suspeito que a vocação pela solidão o tenha tornado contemplativo e refinado. 
Suspeito que Hades saiba admirar a beleza. Saiba procurar e encontrar a beleza na vastidão estéril das ravinas do tártaro, na riqueza e exuberância das ravinas do Elísio (sim, pois ele é um deus de imensas riquezas, tanto assim que os romanos o chamavam de Plutão, o rico, detentor  de recursos, e assim o homenageavam, e nesta bajulação intentavam obter seus favores, representados pelas colheitas fartas, pois o submundo alimenta o mundo dos vivos, assim como os deuses alimentam o sonho dos homens). 
Duvido muito que Hades não se deleite com pianos e violinos, com Vivaldi e Einaudi, Bach e Corelli. E outros mais. Compartilho sua simpatia e gosto por cães exóticos.


E Hades, duplamente alimentava os campos, mesmo quando estes repousavam e recuperavam suas forças no inverno e outono, pois sua consorte, a bela Prosérpina ou Perséfone, filha de Ceres, Deméter para os romanos, o torna ligado à deusa dos campos, mesmo que de forma oposta, pois sua felicidade representa a tristeza da vida, a ausência da alegria da pequena Core junto à sua mãe.



Nunca isentando-se de seus compromisso e seus deveres, costumeiramente penosos e difíceis, não há quem imagine que Hades não cumpra seus acertos e mesmo o rei dos infernos, principalmente o rei dos infernos jamais fugiria de suas dívidas. 
O rapto de Prosérpina lhe custou caro e a dívida foi extinta, mas nunca esquecida. Nem por Deméter e nem por ele. O Estige não detém poder sobre o senhor da escuridão. Ele nunca esquece. E enquanto viva, a humanidade também nunca esquece, mesmo que perdoe. Mesmo que se apiede. O homem só pode esquecer depois de morto.

Mesmo conhecendo e admirando a persona mitologica desde os meus 7 anos, mesmo o preferindo a outros seres mitológicos, mesmo o observando em seus possíveis significados metafóricos e contemplando sua figura com panteões e deuses das mais diversas nacionalidades e mesmo assim lhe dando preferência, por motivos que a minha razão poética não pode prescrutar, Hades nunca me favoreceu com uma gota que seja, das águas do rio Stix.

 Muitas lembranças me são presentes há décadas, algumas quase intoleráveis, outras aliviantes. nem o perdão que outorguei-me pelas coisas ruins pelas quais me fizeram passar me livrou de lembrá-las e mesmo que a vingança não me venha à mente posso me livrar delas. É o preço de ter sobrevivido a elas, não devo questionar, mas admito que me reservo o direito de me distanciar de pessoas que assim de má intenção agiram contra mim e os meus.
 É meu direito. É minha prerrogativa enquanto livre. Não me arrependo de ser assim, mesmo que, diferente do rei dos mortos, eu possa chorar por isso. Espero um dia poder derramar algumas lágrimas na Galeria Borghese.



Compartilho com o rei dos infernos esta característica, a de não poder esquecer, e também a de não desejar a presença de quem me fez mal. E eu também não lamento.

É a prerrogativa do rei dos infernos não abrir mão da solidão e da contemplação. É a minha prerrogativa também.O inferno não permite erros, não permite mudanças. O inferno não permite voltar atrás.



















sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Exerto de jornal: Petista.

extraído de jornal em Londrina - FB da Folha Política.
Petista:


É o cara que se escandaliza com Bolsonaro, mas não vê problema algum em Graça Foster, em Dilma, em Lula.
É o cidadão que se preocupa com os centavos da passagem de ônibus, mas ignora os milhões da Petrobras.
É a moça que defende o aborto, mas considera a palmada um crime hediondo.
É aquele que odeia os judeus e quer a destruição do Estado de Israel, mas faz campanha contra o racismo e xinga os adversários de nazistas.
É aquele que acusa Bolsonaro de ser apologista do estupro, mas ignora o professor que defendeu o estupro de Rachel Sheherazade.
É aquele que chama empresário de sonegador, mas aceita a maquiagem fiscal da Dilma.
É aquele que protesta quando morre um traficante, mas festeja quando morre um policial militar.
É aquele que não se importa em destruir a vida do adversário, se isso for importante para a causa.
É aquele que passa a odiar sua cidade quando a maioria não vota em sua candidata.
É aquele que chama o caso Celso Daniel de "crime comum"
É aquele que usa a expressão "ação penal 470" para se referir ao mensalão.
É aquele que prega a estatização do financiamento eleitoral.
É aquele que usa a palavra "estadunidense".
É aquele que tem uma grande simpatia pelos nanicos da linha auxiliar do PT.
É aquele que não vê nada demais no fato de o PIB per capita da Coreia do Sul ser de 32 mil dólares e o da Coreia do Norte, de 1.800 dólares. Afinal, a Coreia comunista é mais igualitária.
É aquele que apoia o movimento gay, mas também apoia o regime cubano, que já fez campos de concentração para homossexuais.
É aquele que acredita em governo grátis, mesmo quando o País trabalha até maio só para pagar impostos.
É aquele que odeia a censura, mas quer o controle social da mídia.
É aquele que faz tudo para acabar com a família e a igreja, pois sabe que elas são os principais focos de resistência ao poder do Estado e dos movimentos sociais.
No fundo ele sabe que o país está sendo saqueado, exaurido, violentado - mas diz que o problema é o Bolsonaro.
É aquele que nunca perdoa.
Publicado originalmente no Jornal de Londrina

(Eu chamaria de outra coisa.)

Minoria Radical Muçulmana? tem calculadora aí?

http://www.oantagonista.com/posts/dilma-rousseff-e-incalculavel

Dilma Rousseff é incalculável

O governo acabou de anunciar que, em 2014, o Brasil teve um déficit de 17,2 bilhões de reais. É um rombo inédito. É um rombo histórico. O primeiro dos últimos 20 anos. Vamos recapitular o que aconteceu com a meta fiscal de Dilma Rousseff ao longo do ano:

1) Em janeiro, prometia-se um superávit de 116,1 bilhões de reais.

2) Em agosto, o superávit previsto já estava em 80,8 bilhões de reais.

3) Em setembro, criou-se a possibilidade de diminuir o superávit para 49,1 bilhões de reais.

4) Em dezembro, atropelando o Congresso Nacional, Dilma Rousseff reduziu o superávit para 10 bilhões de reais.

Resultado final: déficit de 17,2 bilhões de reais. Repetimos nosso mote carnavalesco: o Brasil de Dilma Rousseff é incalculável.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Salmonela em Répteis


Devido a uma reportagem publicada no dia 12 de março de 1997 no jornal O GLOBO (RJ), sobre o recente surto de salmonelose em pessoas relacionadas com a criação de répteis em cativeiro nos EUA, tenho recebido regularmente telefonemas de pessoas aqui no Brasil que compraram animais e estão apreensivas quanto ao potencial de transmissão da doença entre as pessoas, portanto tentarei explanar algumas observações a respeito do assunto. Os dados emitidos nesta matéria estão baseados em informações científicas, cujas referências estão em seguida, entre parênteses. Para qualquer informação extra, dúvida ou sugestão, faça contato comigo.
Salmonella é um gênero extenso de enterobacteriáceas, ou seja, bactérias encontradas normalmente no trato gastrintestinal de insetos,aves, mamíferos e répteis. No caso de répteis, estão comprovadamente envolvidos as iguanas (Frye, Frederic L., 1995) e outras espécies de lagartos (Hinshaw, W.R. and McNeil, 1974), e serpentes (Hinshaw, W.R. and McNeil, 1994). De acordo com Martin Toly, epidemiologista do New York Departament of Health, também foi constatada em monitores (lagarto) e pítons (serpente). Os sintomas incluem febre, dor estomacal, náuseas e diarréia, além de vômitos. Pode causar um quadro de gastroenterite e, caso se estabeleça na corrente sangüínea, causa septicemia (infecção generalizada), meningite, encefalite e osteomielite, podendo levar à morte. Mesmo que um animal carregue a bactéria, apenas uma minoria dos 2.000 sorotipos conhecidos da mesma pode ser perigosa para seres humanos, e entre elas, apenas a Salmonella typhi pode ser transmitida de pessoa para pessoa (Miller et al, 1995). De qualquer forma, há poucas chances de seres humanos em estado físico normal contraírem a doença, que atinge mais facilmente crianças de idade inferior a seis anos, os idosos e as pessoas imunossuprimidas, ou seja, com doenças como o câncer, tuberculose ou a AIDS. Um fator muito importante para o controle da doença consiste em se observar medidas básicas de higiene, como o simples ato de lavar as mãos depois de manipular qualquer tipo de animal, inclusive cães e gatos domésticos. Apesar da transmissão ser dificultada por todas as barreiras acima descritas, não se deve ignorar a possibilidade de contágio, pois, apesar de mínima, há chance da doença acontecer e uma pequena porcentagem de pessoas contaminadas virem a falecer. Em um estudo feito em 1991 por Miller de casos de Salmonella em seres humanos, entre 12.748 casos registrados, 49 foram fatais, ou seja, 0,38%, uma percentagem pequena, mas significante.
As primeiras relações entre Salmonella e répteis foram observadas no início dos anos 70. Desde esta década até hoje pesquisadores observaram cerca de 250.000 a 300.000 casos de salmonelose adquiridos pelo contato com tartarugas verdes (vide Frye; Volk et al.), o que levou em 1975, a U.S.F.D.A., agência governamental americana responsável pelo controle de qualidade de medicamentos e alimentos, a vetar a venda de tartarugas aquáticas menores de quatro polegadas (10 cm), tamanho onde era possível que as crianças pudessem colocá-las na boca, vindo a contrair a doença, prevenindo uma possível contaminação de 100.000 casos anuais, estimativa da própria agência. De acordo com Martin Toly, apenas uma pequena percentagem (10% de casos) de salmonelose em seres humanos está relacionada com répteis nos EUA, portanto, nós devemos nos preocupar muito mais com a Salmonella transmitida por verduras e frutas, carne bovina e principalmente frango, ovos, queijo e leite contaminados, artigos que adentram bem mais facilmente em nossas casas do que a Salmonella transmitida por répteis, cuja manipulação deve obedecer a regras óbvias de higiene. No Brasil, não é artigo raro nos jornais casos de infecção alimentar causada por Salmonella em restaurantes e presídios, devido à contaminação na alimentação, que pode ter acontecido em determinado produto (por exemplo, ovos contaminados na própria granja) ou na hora do processamento da comida, por falta de higiene na hora do preparo. Apesar disto, fatos como estes passam com pouca notoriedade pela maioria do público, o que não acontece no caso de animais ditos como "diferentes" por certas pessoas (tentando ser brando, ao colocar a opinião da maioria das pessoas a respeito de répteis).
O parágrafo anterior não exime de responsabilidade as pessoas que têm contato direto ou não com répteis, mas visa retirar uma possível sensação de alarme que matérias de jornal possam infundir, de forma intencional ou não, pois as pessoas que me contatam geralmente se mostram bem assustadas com a hipótese de contrair a doença. A terrariofilia no Brasil está começando e deve acontecer de forma inteligente e baseada em pesquisa científica para que haja evolução. Às pessoas que me procuram antes da aquisição de serpentes ou iguanas procuro explicar que este tipo de atitude requer um certo grau de responsabilidade. Criar répteis requer respeito e pesquisa por parte da pessoa interessada, pois são animais "Tabus" para a maioria das pessoas. Nunca se deve sair à rua com seu iguana de estimaçãoporque você sabe que não há risco para ninguém. As pessoas têm medo e, irracional ou não, este deve ser respeitado.
As informações aqui contidas não saíram apenas do que eu entendo a respeito de Salmonella, seja em répteis e outros animais, bem como em produtos alimentícios industrializados ou in natura. São partes de artigos publicadas em periódicos especializadas em herpetologia, bem como material coletado em homepages especialmente preparadas para educar as pessoas sobre o problema. Caso haja necessidade de outras informações, contate me, procure veterinários especializados em zoonoses, dentro de centros municipais, bibliotecas e outras fontes de informação confiáveis. Analise e pese as informações obtidas e daí desenvolva seu próprio ponto de vista, firmado em esclarecimentos obtidos de fontes confiáveis. Abaixo vão mais medidas úteis. Leia com atenção e passe adiante aos interessados:
Pessoas que não devem manter contato com répteis:
  • Bebês e crianças abaixo de cinco anos de idade.
  • Qualquer indivíduo que porte doença que afete negativamente o sistema autoimune (HIV/AIDS, Câncer, etc.).
  • Qualquer indivíduo que esteja sob terapia de rejeição ou sob período pós-cirúrgico.
  • Pessoas sob terapia supressora do sistema imune (quimioterapia, radioterapia, corticosteróides, modificadores biológicos, etc.).
  • Mulheres grávidas, devido ao risco latente de contaminação fetal.
  • Idosos, convalescentes e pessoas em baixo estado nutricional.
Medidas úteis para evitar riscos de se infectar ou se tornar portador assintomático de Salmonella:
Medida óbvia:
  • Após manejar animais de terrário ou equipamento relativo, lavarbem as mãos com sabão, ensaboando por 30 segundos e enxaguando com bastante água. Dê preferência a um sabão antibacteriano. Lavar somente com água é ineficaz contra Salmonella.
  • Répteis, bem como demais animais da casa, devem ser mantidos à distância da cozinha ou de locais onde seja preparada alimentação ou esta seja armazenada/servida.
  • Não use material de cozinha para limpar objetos relacionados a répteis e demais animais. Caso se prepare alimento para animais, estes devem ser preparados em vasilhames da cozinha e depois levados ao local do terrário, onde devem ser despejados na vasilha dos animais, estritamente sem contato.
  • Não coma enquanto cuida dos animais e dos terrários. É ANTI-HIGIÊNICO!
  • Mantenha o terrário e demais materiais sempre limpos, pois higiene é fundamental para eliminar não só Salmonella, mas todos os tipos de bactérias.
  • Crianças com menos de 12 anos devem ser sempre supervisionadas enquanto manuseiam répteis, pois não devem beijar ou levar a mão à boca enquanto estiverem em contato com os mesmos. Além disso, répteis precisam ser manipulados com respeito e cuidado.
  • Educar as crianças sobre medidas de higiene. Répteis são ótimos para se educar a respeito de lavar mãos e não colocá-las na boca, além da função de educação ambiental.
  • Não manuseie répteis se você estiver com feridas e machucados ou cortes nas mãos. Luvas de manipulação são facilmente compradas em farmácias e lojas de artigos hospitalares. São baratas e úteis até para limpeza de outras fontes de contaminação, como pias e banheiros, onde os riscos de contaminação são bem maiores que os oferecidos pelo seu lagarto.
  • Caso seja necessário utilizar boxes sanitários para terminar a limpeza do terrário ou dar banho em seus animais, desinfete o local depois com água sanitária ou soluções bactericidas comerciais.
Vale ressaltar que:
Répteis não combinam definitivamente com pessoas irresponsáveis, anti-higiênicas, exibicionistas e ignorantes. Ignorância é um fator limitante para 99% das atividades humanas comuns, sendo, com certeza, imperiosamente desnecessária na correta manutenção de répteis em cativeiro.
Rotas de transmissão outras fontes de Salmonella:
  • A forma mais comum de se adquirir Salmonella é a ingestão, ou seja, por via oral.
  • Feridas e cortes ou demais machucados nas mãos.
  • Respingos de água contaminada nos olhos e boca.
  • Inalação de aerossóis, portanto a aeração de ambientes é necessária. Antes que os leitores se levantem eu explico, terrários tropicais devem ter umidade alta e ventilação também, como o restante dos aposentos. Isto é essencial para a correta manutenção de seus animais, pois a umidade alta favorece aumento de microrganismos. Um ambiente adequadamente ventilado deve ser borrifado com água constantemente.
  • Fezes de animais são fontes constantes. Limpe imediatamente.
  • Alimentos mal cozidos são fontes de contaminação! Cuidado com carne de frango, bovina, suína, leite, queijo e ovos.
  • Restaurantes suspeitos quanto às condições de higiene devem ser evitados. Evite maioneses e verduras cruas em bancas de cachorro quente.
  • A terra contém as mais variadas cepas de bactérias e fungos. Evite mexer com terra, caso mexa, lave as mãos imediatamente.
Como foi observado, 90% do que está escrito acima não é novo para você. Você já deve ter ouvido a maioria das coisas acima descritas pela sua própria mãe, pois são regras básicas de higiene, regras estas muitas vezes ignoradas, gerando alto índices de contaminação bacteriana e verminótica nas pessoas das mais variadas classes sociais, o que já não é notícia nos jornais por aqui. Mas a recente entrada no comércio dos répteis e anfíbios começa a ser notícia difundida e devido à natureza dos animais e falta de informação de grande parte do público, pode causar transtornos desnecessários às pessoas engajadas em trabalhos sérios nesta área.
Dicas:
Não compre animais que não sejam legalizados.

CUIDADOS BÁSICOS COM SEU ANIMAL DE ESTIMAÇÃO Tartarugas e jabutis



   Apesar de proibido pelas autoridades ambientais do Brasil, o comércio de animais selvagens sempre esteve acessível a qualquer pessoa, bastando ir aos locais conhecidos por todos para adquirir qualquer espécie da nossa fauna. O simples fato de existir esta proibição faz com que as pessoas não queiram se expor, evitando assim contato com profissionais qualificados a fornecer informações necessárias a respeito do seu animal. Geralmente estes animais , quando sobrevivem, apenas sobrevivem, ou seja, a qualidade de vida que levam é péssima, impedindo que eles tenham um crescimento normal , se reproduzam para perpetuar a espécie e não vivam todo o tempo possível.
   Ao adquirir um animal selvagem ou pensar em fazê-lo, leve-o ao veterinário para que ele possa fazer os exames preventivos de saúde ou tirar dúvidas quanto à alimentação e manejo. Sempre que seu animal estiver "diferente", leve-o rápido ao veterinário qualificado de modo que possa ser restabelecida a sua saúde e, caso você tenha dúvidas a respeito de alguma coisa entre em contato com este profissional.

Tartarugas terrestres - os JABUTIS
   Jabutis pertencem a ordem Chelonia a qual estão incluídos todos os jabutis, tartarugas marinhas e cágados aquáticos. São animais conhecidos pela sua lentidão (o que, obviamente é questão de ponto de vista) e infelizmente pela sua resistência que é colocada à prova por pessoas desinformadas ou pouco interessadas em seu bem estar, entregando estes animais a crianças muito pequenas, em recintos sem alimentação adequada ou água limpa, ou ainda em espaço incompatível com sua vida. Já vivenciei casos onde pessoas colocam filhotes de jabuti em travesseiros de criança para curar asma e os deixam ali por meses para a asma "passar" para o jabuti. Há os que vivem somente à base de alface, ficando desnutridos e com raquitismo grave do qual não vão se curar completamente nunca. Outros deixam jabutis no mesmo espaço que cães e gatos o que é um prenúncio de desastre iminente quando estes são mordidos e as vezes despedaçados. Caso você tenha um animal e não possa dar atenção, alimento e espaço adequado, arrume outro dono pois mesmo que o seu jabuti não grite, ele também sente dor, sofre e merece respeito como qualquer animal.
   Jabutis pertencem ao gênero Geochelone, o qual no Brasil possui duas espécies, a saber o vermelho, Geochelone carbonaria, que existe com variações de tamanho e coloração pelo nordeste, centro oeste sudeste e sul do Brasil, e o jabuti amarelo, Geochelone denticulata, menos comum, pois só existe na região amazônica e geralmente é maior que o vermelhinho.
   O vermelho vive em diversos ambientes, desde florestas atlânticas, cerrados e caatinga, enquanto o amarelo está localizado na região de floresta equatorial/tropical.
Ambos possuem hábitos semelhantes de andar á procura de alimento, que em natureza se constitui de folhas fibrosas, bagas, flores e frutas caídas (pois é óbvio que jabuti não sobe em árvore), além de restos de carniça! Bebem muita água e sempre que possível fresca de córregos. Nunca se aventuram a nadar pois afundam depois de algum tempo, como pedras.

Espaço para viver
   Como já disse acima há necessidade de espaço para seu jabuti andar, aliás note como suas patinhas se assemelham às patas dos elefantes, que são animais que muito andam, daí já dá para ter uma idéia que eles precisam de quintais para viver bem.
   Outro dado importante é que os jabutis vivem em terreno firme de terra onde suas patas se erguem retirando seu plastrão, que é o casco de baixo, totalmente do chão, portanto, se o seu jabuti vive arrastando o casco e tem as patas deitadas será por falta de terreno onde se apoiar com firmeza (talvez sua casa seja de tacos ou piso azulejado o que irá deformar seu animal, talvez para sempre). Procure fornecer piso adequado para que seu animal não fique defeituoso ou se arraste pelo chão. Outra coisa importante é para quem tem apenas fêmeas ou casais, eles precisam de terra de jardim para que as fêmeas coloquem ovos pois se estas não acharem onde enterrar seus ovos ficarão acumulando ovos no corpo e podem morrer. Caso você tenha casais e veja sua fêmea enterrando ovos, desenterre com muito cuidado, sem virar os ovos de posição (você pode marcar em cima com lápis para nunca virar), coloca-los em um recipiente forrado com papel amassado para não mudar de posição e levar para incubar com pessoas que lidem com répteis (procure informações com seu veterinário) pois embora não pareça, os jabutis são uma espécie em perigo de desaparecer.

Alimentação
   Quase nunca as pessoas fornecem alimentos adequados aos jabutis e por isso me deparo com animais seriamente doentes por carências de vitaminas e minerais. Ou me deparo com a velha estória do jabuti que come cocô de cachorro, o que acontece é que só lhe oferecem folhas de alface, aí ele tenta conseguir se alimentar com algo melhor, quando é obrigado a ingerir as fezes dos cães para ter proteína na dieta.
   Proteína é fundamental para o crescimento dos jabutis. Para endurecimento do casco deve ser fornecido cálcio em quantidades adequadas, além de banhos de sol da manhã(porém, não torre seu jabuti no sol do meio dia!).
   Abaixo vão sugestões de dieta para seu animal viver feliz e bem saudável:
1. Vegetais - 85% da dieta diária
Folhas de mostarda, de beterraba, agrião, couve, rúcula, salsa, salsão, brócolis, espinafre, repolho, amora, cenoura, pétalas de rosas, hibiscos (tanto pétalas quanto folhas), sementes de feijão branco e feijão verde, ervilhas, lentilhas, milho, e legumes variados, como a cenoura, beterraba, vagens, abóboras, batata doce, etc.

2. Frutas - 10% da dieta diária
Uvas, abacate, maçãs, pêras, abacaxi, morango, manga , mamão, todos os melões, banana, tomates, figos e melancias, amora, nectarina, etc.

3. Proteína animal em altas concentrações - menos de 5% da dieta diária
Ração canina seca ou ração felina ou ração de papagaios ou tofu ou sardinha com ossos ou camundongos abatidos ou ovos cozidos com casca.

Tartarugas aquáticas - os CÁGADOs
   Trata-se de animais que vivem em rios, possuem corpo adaptado para nadar, com carapaça  delgada e membranas entre os dedos, para facilitar o nado. São animais ágeis e em natureza somem na água ao menor sinal de aproximação de alguém, por isso são chamadas de “sliders” em outros países, pois elas deslizam ao menor sinal de perigo em potencial.
   Os cágados são animais que vivem praticamente todo o tempo na água ou próximo dela, mas necessitam ter a opção de sair dela quando precisam. Já soube de pessoas que mataram tartarugas afogadas por colocarem-nas em locais onde era impossível sair para o sêco, fazendo-as nadar sem poder descansar.
   Estes animais vivem na água mas não o tempo todo. Só peixes dormem e descansam nadando, pois tem estrutura para isso.
   Existe algo que é necessário dizer que pode chocar algumas pessoas que possuem tartarugas aquáticas: TARTARUGAS AQUÁTICAS SÃO CARNÍVORAS !  Talvez seja esta a razão que muitas pessoas observam suas tartaruguinhas morrerem após longas 2 semanas oferecendo alface( que é um VEGETAL!) como alimento.
   É claro que animais carnívoros vão se alimentar de folhas se depois de muito esperar só forem oferecidas folhas, pois tentam não morrer de fome de algum jeito.Na natureza elas comem peixes e insetos aquáticos, larvas de mosquitos, vermes e outros invertebrados.

Espaço para viver
   O ideal para a manutenção de tartarugas aquáticas é um lago artificial, coisa que nem todo mundo tem condições de ter em casa, mas o mínimo necessário para manter estes animais é um aquaterrário, ou seja um local que reúna uma parte sêca, com terra e areia, para se preciso seu animal colocar ovos e uma parte com água de altura no mínimo 2 vezes maior que o tamanho total dela, pois, se virar de barriga para cima, terá espaço para desvirar sem correr risco de morrer afogada por não consiguir fazê-lo. Deve possuir também um tronco ou rampa lisa para subir para a parte sêca quando quiser tomar sol, o que é fundamental. Esta rampa deve ser lisa para não danificar o plastrão, que é a parte de baixo do casco. O tamanho ideal para este local é de 4 ou 5 vezes o comprimento de seu animal. Só para avisar: Tartarugas aquáticas, quando alimentadas corretamente ficam com 45 centímetros de casco!
Alimentação   Ração comercial para tartarugas aquáticas, ração comercial para carpas, camarão, camarão dessecado(TetraÒ GammarusÒ), neonatos de camundongos ou adultos, dependendo do tamanho da tartaruga, peixes de aquário vivos, minhocas , lesmas, ração comercial para cães e gatos, insetos (grilos, baratas tenébrios).
   O mais importante é variar o conteúdo da dieta de forma a fornecer uma variedade de nutrientes que possa suprir as necessidades de seu animal. Adultos devem comer de duas a três vezes por semana para evitar obesidade, e filhotes comem todos os dias esta dieta variada.

   Conte sempre com o veterinário para esclarecer dúvidas. Nós estamos á disposição para que a vida com seu animal de estimação seja plena de alegrias e satisfação.


Ademar L. G. do Couto
 Médico Veterinário
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Os Dez Erros Mais comuns que aficionados em terrário costumam praticar em seu início:

Os Dez Erros Mais comuns que aficionados em terrário costumam praticar em seu início:

Erro número um: “Depois de comprar eu descubro o nome desse bicho”

O entusiasmo faz com que as pessoas excedam em seus atos, principalmente quando a oferta é escassa, no caso dos répteis isso tem sido uma constante, e então, antes que alguém faça uma oferta melhor ou mais rápida, a gente acaba se antecipando, não apenas ao comprador da fila, mas aos cuidados com o próprio animal e suas necessidades. Pessoas existem aos montes que compraram lindos filhotes de Burmese Python (Python molurus) sem lembrar que aquele lindo animalzinho irá, em menos de dois anos atingir a marca de 2,5 metros, facilmente e aí a coisa vai complicar muito, pois a mãe, pai ou o irmão que divide o quarto não tem a menor obrigação em se sentir ameaçado diariamente com um animal potencialmente perigoso.
Outro clássico exemplo é o de pessoas que compram Water dragons (Phisignatus coccincinus) pensando serem iguais a iguanas no que tange ao manejo alimentar e de ambiente, e quando seu animal está quase morto, lembra de aparecer em meu consultório à espera de um milagre e não de um veterinário. Aí descobrem que, diferente dos iguanas, seu Water dragon é um animal insetívoro (animal que se alimenta de insetos) com base alimentar, e de acordo com o nome, é animal semi-aquático, o que explica um monte de coisas estranhas que vinham acontecendo antes, com o porque destes animais serem encontrados desmaiados dentro da vasilha de água, e ao serem pegos, voltam repentinamente á vida (quem teve Water dragons deve saber do que estou falando). O mesmo acontece com jabutis e cágados, cuja alimentação é completamente variada, apesar da semelhança na aparência.
É muito importante fazer seu dever de casa antes de adquirir um animal cujos hábitos você não conhece ou “supõe” conhecer, pois pode ser muito tarde ao se descobrir que as condições oferecidas são inadequadas para sua sobrevivência e for tarde demais para recuperar completamente a saúde deste seu réptil/ anfíbio ou mamífero/ ave, pois não são poucos os casos destes animais que aparecem para consultas “desesperadas”. Já adquiri animais que sabia não poder mantê-los, com a intenção imediata de passar para pessoas realmente habilitadas, pelos mais variados motivos, mas nunca o fiz por vaidade ou por “achar que vai dar”. Junto com o erro número 1 vai a regra número um de quem milita no ramo: Faça seu dever de casa.


Erro Número Dois: “Depois eu aumento o espaço do terrário”

            Ao adquirir um animal, você deve saber quais serão os requisitos necessários em termo de tamanho das instalações onde planeja que ele se aloje. Nem sempre sobra dinheiro para que no futuro, uma melhor adaptação seja feita. Junte-se a isso o fator comodismo e o fato de que seu animal nunca reclama verbalmente (e você só se sensibiliza com manifestações verbais) e o tempo vai passando, passando, você descobre que o dinheiro para o novo local não veio, seu animal continua calado, sem reclamar, e ao sair na rua descobre que seus amigos já se lembram de você como o cara que cria “Bonsais de répteis” ou coisa parecida no seu quarto. Tudo bem se você acha que isso será a nova técnica de criação na área, mas nem seus colegas, nem seu bicho e nem eu concordamos com sua teoria. São inúmeros os casos de animais com problemas causados pelo mau acondicionamento, variando de acordo com as espécies e táxons. Um exemplo muito ignorado é o da constipação em boídeos, devido ás dimensões diminutas do terrário, que impedem o exercício regular e a melhor formação do bolo fecal, causando problemas como o endurecimento das fezes no intestino e a possibilidade perigosa de ter que se resolver o problema com cirurgia celomática. Animais com trauma rostral são coisa muito comum para quem tem iguanas, e basiliscos em terrário inapropriado, seja por dimensão ou por mau arranjo de estruturas e isso pode desenvolver até para infecções generalizadas e morte.
            Costumo observar que a montagem de um bom terrário, muitas vezes é mais dispendiosa que o próprio animal, mas a vantagem é que, se esta for planejada para durar, sem necessidade de reformas ou novas estruturas, este terrário suportará bem seu hóspede e não mais precisará ser investido dinheiro para que seu animal viva bem. Geralmente construções saem bem mais baratas que reformas amplas. Segunda regra: Pense na frente, pense no futuro. Invista uma única vez, mas invista direito.



Erro Número Três: “O bicho tá bem. Quem precisa de veterinário?”.

            Vários fatores externos e internos podem fazer com que seu animal se apresente bem ou mal, no momento de sua aquisição. O stress da captura, do transporte, do acondicionamento em grupos e da superpopulação, da competição por espaço, abrigo, comida, etc. tudo isso vai influir no comportamento e na saúde de seu animal antes da sua aquisição. Um ponto importante que as pessoas não costumam observar é que animais selvagens possuem dentro deles a necessidade de transparecer em perfeito estado de saúde, quando confrontados com outros de sua espécie ou na presença de supostos predadores, pela simples razão de evitar confrontos, seja de origem hierárquica, competitiva ou predatória, pois predadores gastam menos energia para capturar animais doentes ou velhos/ fracos. Logo, aparentar fraqueza é convidar um possível predador ou rival para se aproximar. Mais uma dica: uma doença leva algum tempo para se instalar no organismo de um animal. Esta mesma doença pode estar clinicamente visível ou em vias de aparecer, e dependendo do estado geral de seu animal e de suas reservas de energia, seu quadro ao aparecer vai ser gradual, permitindo uma intervenção terapêutica de sucesso provável ou um quadro fulminante, trazendo dor para todos, devido á dificuldade de salvar, geralmente culminando em perda, por inviabilidade em termos de custos financeiros ou de material, esforço e técnica, necessidade de internação e de tratamento intensivo. Leve seu animal ao veterinário ao adquiri-lo e periodicamente. Ele pode necessitar e nem sempre você vai saber disso. Neste caso, ainda não considero uma regra, pois há algo importante para dizer e assim complementar o que tenho a dizer sobre o erro número 3. Basta ver o erro número 4, logo abaixo.


Erro Número quatro: “Serve qualquer veterinário? Um veterinário de cães já resolve o problema?”.

             Não. A não ser que este profissional seja especializado na área de atuação requerida, no caso, animais selvagens, pelo menos. Devido á gama de espécies, e com esta gama uma mais complexa gama de necessidades, comportamentos e peculiaridades, torna-se complicado para um profissional sem experiência na área de animais selvagens proceder a um exame clínico consistente e completo em seu animal. As técnicas clínicas submetidas a estes animais diferem muito das procedidas em cães e gatos. Os exames clínicos variam um pouco e os tratamentos terapêuticos são completamente diferentes, portanto não se arrisque e procure um profissional que vá resolver seu problema, e não te causar outros. Infelizmente tenho atendido casos de problemas causados por profissionais inabilitados para a clínica de animais selvagens, principalmente répteis, como erros de diagnóstico, inclusive de estruturas anatômicas fundamentais, de definição sexual, de terapêutica inadequada e até de uso de drogas que podem matar o animal em questão, pois certos remédios podem ser fatais para determinadas espécies de répteis ou aves, e até de mamíferos selvagens. Caso você necessite de um clínico de répteis ou de mamíferos/ aves exóticas, procure informações com um veterinário esclarecido, que possa fazer uma indicação segura. Procure avaliar o profissional indicado, examine se há clientes de animais selvagens freqüentemente no consultório, se ele demonstra conhecimento ao pegar seu animal (veja se ele sabe identificá-lo), procure literatura especializada no consultório, procure fotos, pergunte se ele já tratou algo semelhante, se ele tem familiaridade com procedimentos clínicos ou exames de laboratório. Estas coisas já dão algo para uma rápida formação de opinião á respeito.
Ao atender estes animais em meu consultório na primeira vez, eu recomendo sempre determinados exames e de acordo com o caso clínico, a estes exames deverão ser associados outros mais complexos. Pergunte sempre ao profissional da necessidade de se avaliar laboratorialmente seu animal. A familiaridade com procedimentos clínicos ou de diagnóstico pode ser um fator positivo na identificação de quem realmente sabe do que fala. Regra número três (agora completa): Leve seu animal selvagem recém adquirido ao veterinário especializado em animais selvagens. E leve seu animal periodicamente ao veterinário para check ups.



Erro Número Cinco: “O Complexo Luz Del fuego”

      Existem coisas que todos sabem, uma delas é que répteis causam as mais variadas sensações nas pessoas. A maioria destas sensações é relacionada com medo. Não importa o quanto eles possam ser inofensivos, não é disso que estou discutindo.  Amo este táxon e entendo o orgulho que a gente sente de criar um animal exótico desde neném e torná-lo um animal sadio, manso e sociável, mas isto não me dá o direito de empurrar na garganta de alguém na rua o meu lindo animal. Os motivos são os mais variados, e isto inclui o pânico que certas pessoas possuem por répteis, a má propaganda causada pelos sujeitos que insistem em dizer que não há problemas em desfilar por aí em shoppings ou escolas, ruas, ou seja, lá onde for com sua linda serpente de 2 metros ou seu lagarto de língua azul. Sabemos que no meio do hobby existem as mais diferentes pessoas, desde o mais rígido nerd, cheio de espinhas e que não vê a luz do sol há 15 anos, passando pelo playboy consciente, o ecochato castrador, que diz que “ter serpentes pode, mas só se não for venenosa”, ao tipo “macho man” que adora se exibir e fica muito mais empolgado quando exibe as cicatrizes que o Tyson, seu niloticus de estimação causou ao ser pego para tomar banho ás garotas que passam, sem perceber o nojo causado. Répteis não são comuns, atualmente seu comércio está proibido ( a importação), seu animal está sujeito á ser averiguado quanto á documentação no meio da rua, o que causará a impressão de que você está fazendo algo ilegal para quem passa, além da impressão de que você quer a todo custo chamar a atenção para si, a clássica SIDA ( Síndrome do Incrível/ Insustentável desejo de chamar a  Atenção), muito comum em pessoas mal resolvidas quanto á necessidades de carência, que em nosso meio eu costumo chamar de “complexo Luz del Fuego”, aquela bailarina de gostos duvidosos que costumava só aparecer com uma Jibóia no pescoço. De qualquer forma, a maior e a mais séria razão para não sair com seus répteis na rua é a de que eles terão, fatalmente que sofrer stress de mudança de ambiente e oscilação térmica, corrijam-me se eu estiver errado. Uma das coisas mais maravilhosas que eu tenho aprendido com animais selvagens é que quando você toma para si a responsabilidade e o privilégio de cuidar de um, você se torna deus para ele, devendo suprir satisfatoriamente todas as suas necessidades alimentares, de conforto térmico, de abrigo, de saúde, reprodutivas e etc., portanto, o principal passa a ser o que eles precisam e não o que você quer. Se você acredita de outra forma, esta deverá ser a última vez que você lerá a minha coluna e, no que depender de mim, estou lhe convidando para se retirar deste texto e dos meus próximos, pois você está na festa errada, desculpe a franqueza. Descargas de Raios matam cerca de 1.000 pessoas por ano nos EUA, picadas de abelha matam cerca de 400 pessoas por ano, mordidas de cães domésticos fazem muitos milhares de acidentes, alguns com morte, Picadas de serpentes venenosas matam cerca de 10 pessoas por ano, apenas. Os acidentes de carro têm sido os maiores responsáveis por morte na maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, MAS O FATO É QUE AS PESSOAS NÃO TÊM MEDO DE CARROS E SIM DE COBRAS! Já deu para entender? Espero que sim, pois a próxima regra, número 4 é que répteis causam medo em determinado tipo de pessoas. Evite sair com eles na rua.

Erro Número Seis: “Minha iguana adora mamão, não adianta dar outra coisa que ela não quer, logo minha iguana só come mamão”.

            Este pensamento é um dos que me tem causado mais problemas na clínica de animais exóticos, pois é de uma lógica relativa para quem aceita o fato de que os animais vão procurar o que é de melhor para se alimentar. Isto não ocorre somente com iguanas, mas é comum com tartarugas, jabutis, papagaios, araras, leopard geckos, e mais um monte de cães e gatos cujos donos são fracos demais para decidir quem toma conta de quem. O fato é que em natureza as coisas são diferentes quanto á busca pela sobrevivência. Vamos exemplificar: uma iguana na natureza acorda meio entorpecida pelo frio da madrugada, rasteja até uma posição privilegiada onde possa aquecer, leva alguns minutos para estar suficientemente ativa e aí vem a fome. O animal passa a procurar alimentação. Em sua lista de prioridades estão as frutas suculentas e doces, folhas suculentas e doces caindo para frutas suculentas, folhas suculentas, frutas e folhas amargas e amargas e secas ficam por último. Aí elas se deparam com uma sombra do alto e fogem rápido de um possível falcão faminto e o repasto fica para depois. Depois, devido ao tempo perdido e ao aumento do apetite e da concorrência, só tem pra comer folhas amareladas e secas, o que acontece? Ela come o que tem. E isso é a realidade de quem vive na “linda e bela natureza”, ou você achava que aparecia um garçom de hora em hora servindo salgadinhos para todos? A Natureza, á despeito do que os ecochatos queiram dizer, não é uma festa. A realidade de um animal em cativeiro é outra. Tem comida todo dia, comida variada e suplementação vitamínica e mineral, e aí dá para escolher o que for mais apetitoso. Caso o que interessar não venha, a gente faz beicinho por 2 dias e logo somos atendidos.
O final disso é uma dieta pobre em nutrientes e as carências nutricionais vão se instalando insidiosamente até tornarem-se visíveis até para o dono cuidadoso, que, se tiver a chance e a disposição, leva ao veterinário, que tem que resolver o pepino. Tornando as coisas mais fáceis de entender, aí vai a Quinta regra: Animais comem o que gostam, sempre que podem. Animais devem comer o que precisam e não o que gostam de comer. Se não fosse assim a bóia dos hospitais seria melhor, não acham?

Erro Número sete: “Répteis não reclamam, logo não sentem dor”.

Tenho me deparado com situações diversas no meu consultório, algumas cômicas e outras trágicas. Ë engraçado ver pessoas colocando roupinhas em jabutis, letreiros na porta do terrário de seu teiú ou algo que o valha, contanto que não atrapalhe a vida deles. Certas horas me deparo com situações absurdas, como a do cliente que, ao tirar o carro da garagem, passou por cima do jabuti e sentiu que ele quebrou todo, mas, como achou que ele estava morto, deixou para lá. E deixou para lá mesmo, só indo ver após 7 dias o porque o animal não estava fedendo, e deparando com o jabuti vivo ! O trágico disso é que, mesmo ao chegar no consultório, este proprietário não aventou a possibilidade do animal estar sofrendo em momento algum. Ao examiná-lo, dava para observar que o animal se contorcia de dor, do mesmo jeito que quando se aplica uma injeção, ou se debrida uma ferida os animais, inclusive os répteis, sentem dor.  O caso necessitou de cirurgia de emergência e o animal ficou bem, para quem ficou curioso com a história. Eles vem de vez em quando só para visitas regulares. Não acredite em técnicas veterinárias do tipo ”só vai levar um segundo”, pergunte se não há a possibilidade de se utilizar meios e técnicas para o controle da dor, pois quem gosta de sentir dor é cowboy e não os meus pacientes, posso garantir. Vale uma regra número 7: Animais sentem dor, frio e fome, apenas não expressam isso verbalmente. Seja sensível para entender suas necessidades.

Erro Número Oito: “O Brasil é um País Tropical”
            Deixe-me completar, “abençoado por Deus e Blá blá blá”..., Logo, eu não preciso me preocupar com a qualidade térmica que ofereço aos meus répteis/ anfíbios, pois este país é tropical. Devido a pensamentos como este, os problemas de erro de manejo acontecem, pois o nosso país é privilegiado em termos de temperatura, mas em determinados locais, e isto pode variar de acordo com o local, com a época do ano e, principalmente, de acordo com a espécie de animal que temos escolhido. Sei de locais em que, para determinadas espécies o monitoramento térmico é completamente dispensável, principalmente se as condições de espaço no terrário são plenamente satisfatórias, mas isto não quer dizer que a responsabilidade deva diminuir por parte do proprietário e caso as coisas saiam do controle, não adianta culpar ninguém. As pessoas que obtiveram mais sucesso na criação de répteis em cativeiro são as que procuraram manter o ambiente de seus animais o mais controlado possível, em se tratando de temperatura, umidade e limpeza. Criar estes animais requer tempo, conhecimento e dedicação, não dá para fugir disso. Um fato que põe fim nesta discussão é que se você quiser que as coisas saiam do controle no terrário, basta confiar que este país é tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza ( que beleza...), o azar é todo seu ( e do seu animal também).

Erro Número nove : “ Meu animal não come porque está para hibernar ”

            Há várias e inúmeras causas para que um réptil/ anfíbio venha a entrar em estado de hibernação. Animais de climas frios necessitam entrar em processo hibernativo para poder sobreviver em natureza a fases e climas inóspitos e desfavoráveis á sobrevivência da espécie, alguns necessitam hibernar para completar o ciclo reprodutivo, favorecendo a maturação dos gametas (células sexuais), e na maioria das vezes os dois fatores aqui expostos atuam juntamente, trazendo no final da hibernação a época de reprodução.
            O ponto é que, nem sempre a falta de apetite pode ser um indicativo de que animais estão em processo de hibernação, ou mesmo em processo de semi-hibernação (vamos chamar de processo de estivação), além do fato que, nem todos os répteis necessitam entrar nestes processos, bastando, muitas vezes uma brusca queda de temperatura e umidade, ou até uma queda gradual, dependendo do local de origem da espécie, para que eles entrem em franco desenvolvimento reprodutivo, portanto nem sempre a falta de apetite pode ser causada por processos metabólicos normais. Muitas vezes o que ocorre são doenças que podem expor seu animal a riscos de vida, caso não diagnosticada a tempo, ou determinados alimentos oferecidos não se encontram em boas condições de consumo, estragados ou com produtos químicos de sabor o cheiro desagradável, ou até devido á insistência do mesmo alimento, os animais enjoam deste ou daquele prato oferecido, coisa comum com determinados tipos de camaleões, por exemplo.
            Na dúvida, o ideal é fazer um check up com o veterinário especializado, talvez sendo indicado um exame de sangue ou outro exame qualquer, dependendo da avaliação clínica e da história relatada sobre as condições de manutenção de seu animal ou do quadro evolutivo da doença. Não espere o “final da hibernação” para descobrir que seu animal já atravessou a linha vermelha e nada mais pode ser feito. Na dúvida, procure conselho de profissionais especializados nesta área. Quanto aos animais que sabidamente hibernam, estes o fazem em determinadas épocas do ano e devem ser colocados em hibernação quando em totais condições de fazê-lo, ou poderão nunca retornar deste processo. Vale mais uma vez o conselho de procurar ajuda especializada.

Erro Número dez: “Meus animais vivem juntos em perfeita união”

            Raras as espécies de répteis que vivem agrupadas, quando isso ocorre, geralmente é em determinada época do ano, por motivos de procriação ou por necessidade de nichos de hibernação e estivação. Na maioria das vezes, os répteis são animais solitários, e ás vezes até anti-sociais. Esta fase anti-social/territorialista se desenvolve próximo á época de maturação sexual, ou na época de procriação, por motivo de disputa de fêmeas, território e local para oviposição. Dentro de um terrário, isto pode ser notado quando há decréscimo de peso ou de movimentação de determinado animal, a não ocupação de determinados pontos, principalmente de basking ou de água e daí vão aparecendo os problemas de crescimento de animais de mesma idade, doenças e etc. em alguns casos existe uma boa tolerância entre as espécies, mas o proprietário deve ficar de olho em todo o comportamento e atitude dentro de um ambienta controlado. O princípio geral é de se alojar animais individualmente, havendo algumas exceções, bastando para isto, ler e conhecer mais sobre seu animal.

            Provavelmente as dúvidas vão surgir e deverão ser sanadas com literatura e experiência própria e adquirida por amigos e profissionais.

Encontro-me á disposição para responder quando souber e desde já quero dizer que o Doutor Ademar Couto não sabe tudo e não vai ser o responsável pelo seu animal. Herpetologia é um ramo muito novo, a clínica de répteis está em constante desenvolvimento e o que eu tenho hoje como o correto pode mudar em 6 meses ou menos.
A responsabilidade de procurar e saber e fazer e descobrir algo sobre seu animal, garantindo seu bem estar é sua, sendo o médico apenas mais um veículo para possibilitar que isso aconteça.
Hoje nós temos a chance de fazer a coisa da forma correta, evitando os erros cometidos pelos precursores deste hobby que tem um cunho científico inegável, aprendendo com os erros por eles cometidos e evoluindo cada vez mais e da forma o mais ética possível. Sendo assim eu me coloco á disposição em qualquer coisa que eu possa vir a ser útil.

         



 Ademar L. G. do couto