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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Vôos solo. Ou porque o Marcio Fito só conversa comigo (e agora que eu mudei de igreja, tá na mão)

Obviamente, além da menção a um grande amigo, como qual partilho posições e troco idéias a respeito do mundo, este texto não vem falar apenas de sua realidade, mas a de muitos que vivem uma vida mais solitária que a convencional. Fito, você tem a liberdade de assinalar o que eu acertei, bem como o que errei na minha avaliação aqui escrita.


Desde pequenos nós somos desafiados a entender o mundo e seus habitantes através de gestos, vocalizações e mais tarde, assim que alçamos este degrau, o uso da linguagem.

Mas o domínio da linguagem é uma premissa apenas básica(apenas?) para adentrar no mundo das pessoas. Há que se exigir muito mais e isso devido a natureza humana não se basear apenas em um código simples, pois as variações em torno dos grupos são o real desafio para que rompamos esta cadeia de forma a entrarmos em algum grupo.

E para entrarmos em um determinado grupo nos é necessário adquirir as minúcias linguísticas, comportamentais e artifícios que nos levem ao entendimento da identidade que une o complexo associativo, seu mínimo denominador comum e aí sim, nos tronamos participantes efetivos.

Entendo este tipo de esforço para que esta entrada se dê e que, a partir dela, tudo se clareie e as pessoas possam abrir mão dela posteriormente para, em círculos mais internos do grupo poderem, como iniciados, à vontade aprofundar o discurso, apresentando sonhos, temores, idéias e assim cumprir o real objetivo desta "iniciação", que nos capacita pela obtenção de códigos sub reptícios de linguagem, etiqueta e comportamento, nos capacita a uma evolução maior e desenvolvimento nos assuntos e na intimidade das relações, e aí chegamos ao crescimento humano.


Mas noto que em muitos grupos o que se percebe é que esta soma de linguagem e etiqueta é um fim em si mesmo, uma necessidade de ser e estar apenas para uma associação em nível semelhante ao gado vacum, sem aprofundamento, sem evolução, sem melhora com o passar do tempo, como comumente vemos em acontecimentos constantes, onde o assunto é sempre o mesmo, sem evolução e nem um objetivo além, sem enriquecimento crítico, sem nada mesmo. Voltamos pra casa hoje de uma festa, de um culto, de um aniversário ou de alguma reunião do mesmo jeito que entramos, o que pra mim é pura perda de tempo, portanto minha conta após este tipo de coisa é sempre tendendo para o negativo. Nada a acrescentar.  Nada a somar. Deitar a cabeça no travesseiro e dormir.

Uma das frases que mais odeio, quando sou recepcionado em qualquer ambiente (e admito meu ódio por frases e perguntas retóricas aqui e agora, perpassando isso ao meu filho mais velho, que apercebido do vazio destas perguntas e afirmações não poupa fogo aos seus interlocutores desde pequeno) é o famoso :"E o mengão, hein..." Esta maldita frase, somada a do:"será que chove?" e outras me dá a idéia exata do que é estar em um ambiente caracterizado pelo estereótipo grupal  ou pior, o estereótipo ideológico/religioso.

Então a gente rompe mecanismos chave, desvenda códigos trabalhosos de comportamento pra isso? Nada mais? Sempre as mesmas questões sem resposta nem na próxima reunião? A mesma sistematização de palavras e emoções repetitivas? Os mesmo nomes inconsistentes, as mesmas definições falsas para as mesmas coisas, não importando o quanto estejam erradas e por este fato qualquer discussão a respeito não nos leva a lugar algum, devido á diferença na marcação das bússolas etimológicas, que um léxico qualquer ajudaria a nortear?

Por esta razão, um sujeito verdadeiro, pragmático, que anda apoiado na razão e necessita mais que aceitação social, a evolução em qualquer aspecto oferecido (social, religiosa, técnica, política, espiritual, cultural, o que for) se sente isolado mesmo em ambientes pejados de gente que parece se comunicar, mas na verdade pavoneiam e palreiam, mas sem conteúdo. Estes indivíduos são facilmente tolhidos nestes ambientes e por mais cercados que estejam, estão sós.

A desculpa é sempre a mesma, "você não sabe falar de amenidades", "seus assuntos são os únicos que lhe interessam", quando amenidades são a introdução que a etiqueta oferece para que adentremos no substancial e a busca de assuntos novos permeia a vida de quem precisa crescer  em seu interior, portanto argumentos não válidos pra este tipo de situação.

Neste ambiente teatral, o indivíduo normal, objetivo, que busca clareza e evolução é taxado como anormal e inibido ao ser deixado de lado, um "nerd', um chato, que quer gastar cabeça dos outros e que devia ficar em casa lendo livros e artigos sem direito á requisitar uma discussão a respeito.

Nossos ambientes estão formando gado mentalmente inerte, que vem e vai e na próxima reunião e por anos a fio e nenhum resquício de amadurecimento aparecerá, mas a aparente normalidade em que vivem, por mais estatisticamente marcante nunca irá atrair este tipo de pessoa "anormal", que só sabe falar sério, por isso estes estão fadados a andar sós e, ao encontrarem na rua um semelhante, atrasam os afazeres diários em 45 minutos mal tolerados por seus companheiros, que não se esforçam um átomo para entender o "porquê aqueles dois acham tanto assunto quando se encontram.





Este texto é dedicado ao Márcio e à Márcia Coutinho, ao José Machado, ao Paulo Roberto Jr., ao Steveson Jorge, ao Roberto Mello e ao Walter Neto, ao Domingos Bomediano e ao Roberto Véras. algumas destas pessoas que andam solitárias e com as quais tive a oportunidade de conversar pelo menos um pouco, algumas eu gostaria de ter mais contato e algumas supracitadas nas quais observei, mesmo sem muita oportunidade de diálogo aprofundado, este fenômeno.

Reconfortante me é saber que vocês estão por aí espalhados e, devido ás circunstâncias, andando meio que solitários.

Continuem seus vôos solo por onde forem.



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