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sábado, 8 de outubro de 2016

A espada Maldita


             






  Algumas pessoas , a título de licença poética ou eufemismo covarde tentam levar o significado de um objeto ou de um tipo de pessoa a um patamar mais apreciável e menos agressivo.

Muitos são por isso bajulados e por este motivo alçam ao plano popular, são chamados de sábios e obtém um alto nível de agrado do público ainda que para isso, todos saibam que eles obtiveram este "padrão dourado" por ter vendido a verdade e junto com a verdade suas almas.

E embora todos saibam, todos, sem exceção, todos compactuam com o silêncio.

Mas há outros. 

No séc. XVI houve Sengo Muramasa. Ele pediu ao seu deus que suas criações levassem tudo a que seu objetivo lhes era imputado, pedindo que fossem "destruidoras". Sengo Muramasa criava Katanas e katanas , entre algumas atribuições, possuem uma primeva, a de cortar a carne no campo de batalha.

Muito me admira pessoas que levam seu ofício ao mais alto grau de desempenho e que não se escondem quanto aos seus objetivos. O tempo premia esta sinceridade carregando suas almas para dentro de suas criações, fundindo criador e criatura. Aço fundido ao sangue. Nada pode ser mais letal que esta combinação.
O nome Muramasa se fundiu a tal ponto com suas navalhas que deixou de ser o nome de um homem. Muramasa foi o nome dado a mais de uma geração de espadas. enquanto estilos de esgrima se tronaram escolas com o passar do tempo, Muramasa foi a única katana que o tempo transformou em uma escola.


Normalmente estas pessoas se tornam tão íntegros que já não separam seu ofício de sua filosofia. São pessoas mais caladas que as que usualmente encontramos por estarem sempre, como dizia Bram Stoker, imersas em "seus pensamento e em suas solidão".


Seus atos os tornam inimigos do mainstream, párias enxotados do lugar comum. Sua presença desagrada, causa incômodo e constrangimento pois não possuem mestre, senão sua consciência, portanto não podem ser bajulados pelos seus subordinados, comprados por desconhecidos abonados e o que há de mais grave nisso, não serão submissos aos superiores que o tempo e as circunstâncias impuserem a eles neste mundo flutuante.

Eles obedecem a verdade e a razão, seus verdadeiros mestres não são feitos de carne humana.


Dizem que acontecimentos terríveis aconteceram à casa Tokugawa nestes tempos.

1535. Kiyoasu, avô do Shogun Tokugawa Ieyasu, foi cortado em dois, decepado por Abe Masatoyo. com uma navalha Muramasa.

1545, Hirotada Matsudaira, o pai do Shogun, foi morto por Iwamatsu Hachiya. nas suas mãos estava  uma lâmina Muramasa.

Quando Oda Nobunaga ordenou o suicídio de Nobuyasu, seu seppuku foi realizado com uma navalha Muramasa. O seu executor utilizou uma Muramasa Katana. 

O Shogun Tokugawa viu seu filho ter a cabeça decepada por uma navalha de Sengo Muramasa na cerimônia da sua morte.


O último incidente, a última pedra da coro de humilhação aconteceu com o próprio Tokugawa, em uma batalha na qual foi vencedor.

Oda Kawachi no Kami, seu general fincou uma Yari na cabeça decepada de um general inimigo após vencer Ishida e Konishi na batalha d Keicho.



Ao inspecionar o Yari, o Shogun teve iemdiatamente sua mão cortada pela navalha. Uma navalha Muramasa.

Aos olhos do Shogun as navalhas Muramasa foram feitas para sangrar, cortar e decepar os Tokugawa.



Este Yari selou o destino das navalhas Muramasa até hoje.

O Shogun proibiu qualquer pessoa de possuir uma lâmina Muramasa, Ordenou que todas as lâminas fossem derretidas em 1603. A posse de uma Muramasa seria punida com a morte de seu possuidor.


As navalhas Muramasa se tornaram o pesadelo de um clã poderoso, a casa Tokugawa, que em face de tamanho poder nada pôde fazer a não ser apelar para a difamação, manchando sua tradição no Budo. 



Saudações a todos que, pelo fato de saber empunhar suas armas tão habilmente, honrando a função da navalha, seja ela mental, verbal ou física, ao inimigo, impotente quanto a este fato, só resta aos inferiores classificá-los como "malditos".

A morte virá, se formos pacientes e assim como o tempo é pai da verdade, a morte se encarregará do falso poder nossos inimigos e resgatará nosso valor escondido pelas suas mentiras.

Muramasa em seu pragmatismo e sinceridade entendeu o real significado da Nihonto. Outros artesãos também, mas ele o declarou em suas criações e por isso pagou o preço.

A primeira função do aço, assim como do pensamento fluido e limpo será sempre descobrir o que vai dentro do peito dos nossos adversários. 

A segunda é nos fazer refletir sobre o que o aço levou com ele em seu caminho.

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