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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Os discursos da guerra política: o acerto de Olavo de Carvalho e o erro de Jair Bolsonaro

http://lucianoayan.com/2014/12/10/os-discursos-da-guerra-politica-o-acerto-de-olavo-de-carvalho-e-o-erro-de-jair-bolsonaro/


bolsolavo
Já dizia um ditado: “Tudo que aparece em sua mente não precisa sair de sua boca”. Sábia lição, pois em em política temos que pensar estrategicamente em como nos posicionamos, especialmente quando existe a chance de um oponente obter um pretexto para te atacar.
Hoje em dia, Jair Bolsonaro defende leis que manteriam estupradores detrás das grades. Ao mesmo tempo, a extrema-esquerda defende leis permitindo que menores de idade tenham licença para estuprar. E matar.
Mesmo assim,  Bolsonaro caminha para obter uma derrota política. Não que ele vá ser cassado. Mas com certeza seu desgaste aparentemente será similar ao feito por petistas e suas linhas auxiliares contra Marco Feliciano em 2013.
Bolsonaro disse: “Ela [Maria do Rosário] me chamou de estuprador, eu disse que não a estupraria por que ela não merece”. Eticamente não há nada de errado. A não ser que Maria do Rosario provasse que mereceria ser estuprada. Bolsonaro poderia ter dito que “nenhuma mulher pode ser estuprada”, o que tiraria o pretexto dos bolivarianos atuando a partir de draminhas e chiliques simuladamente histéricos.
Veja o nível da palhaçada, conforme o Brasil247:
A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), agredida verbalmente pelo deputado Jair Bolsonaro ontem na Câmara, afirmou que pretende processá-lo criminalmente por sua declaração.
Bolsonaro subiu à tribuna logo após um discurso da petista sobre direitos humanos. Ela então deixou o plenário.
“Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador, no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui pra ouvir”, disse, aos gritos, o parlamentar.
“Fui agredida como mulher, como parlamentar, como mãe. Chego em casa e tenho que explicar isso para a minha filha”, declarou a ex-ministra dos Direitos Humanos, em entrevista à Rádio Gaúcha. “Vou processá-lo criminalmente”, anunciou.
Em seguida, ela se emocionou e disse não estar em condições de continuar a entrevista. “Não quero meu nome na voz de alguém que tem uma atitude como esta. Vocês me desculpem, fiquei bastante emocionada. Vou seguir meu trabalho. Não tenho mais condições de seguir a entrevista. Sugiro que as mulheres que tenham força e dignidade para seguir esta luta”, concluiu.
É um show de fingimento, com certeza. Nada foi feito contra ela, que acusa Bolsonaro. Enquanto isso, ninguém olha para o verdadeiro crime: ela ter acusado-o de estupro. E sem provas.
Quer dizer, ele tem uma pedra preciosa em suas mãos: o direito de poder descarregar os epítetos mais assombrosos do mundo sobre seus acusadores, pois foi vítima de calúnia. E ainda assim, ele está na defensiva. Lá vamos nós de novo para a frase padrão: “É a política, estúpido!”.
Bolsonaro precisa se acostumar que política é guerra de posição, sendo que a posição é definida por medo (lançado sobre seu oponente) e esperança  (lançada sobre você), com termos que calam ao coração do povo. Mas o fundamental não pode ser ignorado: o agressor geralmente prevalece.
Todos os discursos do PT em direção a Bolsonaro mostram que, de acordo com essas regras, ele terá que evoluir muito para chegar lá.
Veja como exemplo o discurso de Vicentinho:
A dignidade da pessoa humana, que é relembrada, comemorada e reivindicada nesta semana do Dia Internacional dos Direitos Humanos, é um valor estranho a esse senhor: tudo o que está em sua mente e em sua boca é maldade e depravação, marcas indeléveis do regime de usurpadores e torturadores que ele tanto defende. Num exercício de paranoia conspiracionista, os malfeitos desse tempo de horror ele quer projetar no nosso governo, que ao contrário de tudo o que ele representa, é democrático e vitorioso. 
Que tal contarmos os rótulos? Observe:
  • contra a dignidade da pessoa humana
  • contra os direitos humanos
  • valores bizarros
  • maldade
  • depravação
  • torturador
  • defensor de regime de usurpadores
  • de um tempo de horror
  • paranoico conspiracionista
Um verdadeiro show de rotulagens. Com o uso de termos fortes, incisivos, marcando posição na mente da plateia. Qual será a resposta de Jair Bolsonaro para isso? Quem irá defendê-lo? Parece que as redes sociais estão se mobilizando em favor dele. Já é alguma coisa.
Enfim, se Bolsonaro não rotular os oponentes de forma contundente (e no mesmo tom feito por Vicentinho, no mínimo) vai se dar mal.
No mesmo dia, vimos o seguinte post feito por Olavo de Carvalho na página de Jandira Feghali. Ele se defendia das mentiras pérfidas lançadas por esta última. Veja:
Dona Jandira: O universo inteiro sabe que vocês, comunistas, são os recordistas mundiais do assassinato em massa, os especialistas supremos da pregação do ódio, os professores que os nazistas copiaram mas jamais igualaram. Vocês, que cultuam aquele que os exortava a ser “frias máquinas de matar”, nunca derramaram uma lágrima, nunca esboçaram um pedido de perdão pelos inumeráveis crimes de assasinato e de tortura que cometeram. Vocês ODEIAM OS SEUS INIMIGOS ATÉ DEPOIS QUE OS MATARAM. Vocês se arrogam o direito de matar ilimitadamente, mas, quando atingidos por um xingamento, por uma ironia, por uma piada, se debulham em prantos de autopiedade. Sua conduta é a vergonha da espécie humana.
Está aí, em uma casca de noz, a diferença entre um discurso político que funciona e um discurso que tende a dar em água. Espero que Bolsonaro se inspire na intensidade do discurso de Olavo para fazer sua defesa. Defesa não. Seu ataque.

sexta-feira, 21 de março de 2014

"Há muito vagabundo 171 recebendo bolsa-ditadura", diz Bolsonaro

Marcha da Família »"Há muito vagabundo 171 recebendo bolsa-ditadura", diz Bolsonaro

Aline Moura - Diario de Pernambuco
Publicação: 20/03/2014 08:00 Atualização: 20/03/2014 08:45

O parlamentar defendeu, inclusive, pena de morte para menores que cometem crimes. Foto: Arquivo Pessoal (Arquivo Pessoal)
O parlamentar defendeu, inclusive, pena de morte para menores que cometem crimes. Foto: Arquivo Pessoal
Embora o PP apoie a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) é um dos principais incentivadores da Marcha da Família, que defende o retorno dos militares ao poder e sairá às ruas no próximo dia 22, incluindo no Recife. Ele diz que não houve nem “ditamole” no Brasil, quanto mais ditadura, acusa Dilma de ser uma “artista” e fala que o movimento patriota iniciado este mês tem os mesmos ventos favoráveis de 1964. “Você já viu como a Dilma olha para Fidel Castro? Parece que ela está recebendo um pacotinho de pirulito de tão feliz. Depois, ela vem olhar para o Papa Francisco do mesmo jeito. É uma artista”.
O parlamentar defendeu, inclusive, pena de morte para menores que cometem crimes e voltou a bater nos programa de combate à homofobia. “Eu não tenho nada a ver com a aranha dela”, esbravejou, reclamando da ministra especial da Secretária das Mulheres, Eleonora Menicucci, que, segundo ele, só se preocupa com temas de homossexualidade ao invés de cuidar da saúde da mulher. 
Veja íntegra da entrevista que concedeu ao Diario, por telefone, de Brasília.

Deputado, o senhor está numa foto onde parabeniza os militares pelo golpe de 1964? É o senhor mesmo?
Sim, o cartaz é meu. Está sendo mais divulgada agora, mas foi retirada no ano passado, quando eu estourei 40 rojões em frente ao Ministério da Defesa. No sábado, um avião vai passar com faixas no Rio de Janeiro dizendo “Vá para Cuba, Fidel Castro de saia”. Será uma alusão à Dilma Guerrilheira Rousseff. 

Como se pode defender o que houve em 1964, deputado?
Aqui não houve ditadura, nem ‘ditamole’. As pessoas viviam em clima de total segurança e liberdade. Os militares, naquela época, foram apoiados pela OAB, pela Igreja Católica, pelos empresários, pela sociedade em geral. Estávamos no limite de uma didatura do proletariado. Não houve golpe militar. Quem cassou o presidente João Goulart foi o Congresso em 2 de abril de 1964. Quem botou Castelo Branco no poder foi o Congresso em 9 de abril de 1964. Foram 361 votos para Castelo Branco, inclusive o de Ulisses Guimarães e do senador Juscelino Kubitschek. (risos)

Que tipo de recepção esse movimento está tendo no Brasil?
Está começando devagar. Foi assim que começamos da última vez. Esse é o primeiro movimento e eu sou apenas integrante dele. Eu inclusive sugiro que as pessoas apenas se encontrem nos locais que marcaram, sem fazer caminhadas, porque, há riscos desse povo do PSOL se meter no meio e criar confusão. É melhor que as pessoas se reúnam nas praças e batam um papo, ao invés de se deslocar de A para B. 

E sobre as torturas provocadas na ditadura militar, deputado? 
Há muito vagabundo 171 dizendo que foi torturado e tem muita gente recebendo o “bolsa-ditadura” de 20 mil. Nenhum aposentado ganha isso. E tudo isso defendido e patrocinado pelo governo de Cuba. 

Não é uma forma simplista de ver esse período, dizendo que Cuba patrocinava os militantes da esquerda no Brasil?
Olha, Fidel Castro assumiu o governo em 1959 e quando derrubou Fulgêncio Batista do poder matou mais de 700 pessoas. Na época, havia uma guerra fria e o negócio funcionava como o jogo de War (jogo com um mapa do mundo dividido em seis regiões). Havia interesse em fortalecer outros exércitos, como no War. Cuba era patrocinada pela União Soviética e ajudava outros lugares. Mas Fidel prometeu libertar o povo das guarras dos Estados Unidos e veja só. Ele dizia que a ilha era um prostíbulo dos Estados Unidos, mas, naquela época, as prostitutas de lá, por exemplo, recebiam 100 dólares por uma relação. Se alguém for lá em Cuba agora e quiser procurar uma mulher, pode pagar um dólar, que vai ser muita grana. A situação está muito pior. Um marajá em Cuba ganha 100 dólares!  

E o que os comunistas tem haver com esse protesto?
Queremos mostrar para os políticos do PT, para esse desgoverno, que não acreditamos nele, na sua liberdade. Eles querem mostrar que o capitalismo é o inferno e o socialismo é o paraíso, mas essas mesmas ditaduras de esquerda mataram mais de cem milhões de pessoas, só 20 mil foi em Cuba. 

Mas, ao invés de defenderem uma mudança pelo voto, vocês querem a intervenção dos militares?
Temos sérias desconfianças para com as urnas eletrônicas. Queríamos que a pessoa pudesse votar na urna eletrônica e um voto impresso cairia em outra urna, na mesma hora, mas o PT não quis. O PT foi contra, não queria que fizéssemos a amostragem.  
 
Deputado, é um pouco chocante tudo isso. Como as pessoas estão vendo seu discurso?
O meu discurso é verdadeiro, as pessoas acreditam no que eu falo e sabem que, nós, militares, somos patriotas e democratas. Você já viu como a Dilma olha para Fidel Castro? Parece que ela está recebendo um pacotinho de pirulito de tão feliz. Depois, ela vem olhar para o Papa Francisco do mesmo jeito. É uma artista. Vocês deveriam achar um absurdo que o BNDES tenha enviado 1,2 bilhão de dólares para investir num porto de Cuba (inaugurado em janeiro deste ano), o porto de Mariel. É justo com o nosso dinheiro? E Cuba vai exportar o que mesmo? Açúcar e charuto cubano?

O senhor fala muito mal de Cuba, mas nunca foi lá…
Eu não preciso botar a mão no fogo para saber que queima. Se fosse bom, aquele povo ia viver fugindo desse jeito?

O senhor recebeu convites para disputar a Presidência da República, porque o senhor tem um posicionamento bem diferente do que se vê?
(risos) Nunca… Se eu tivesse recebido, teria aceitado, porque daria condições de “atirar” (debater) em Dilma e fazer oposição chegar ao segundo turno. Eu ia ajudar a acabar com essa política nefasta do PT, mas o PP está com Dilma. 

Deputado, nunca vi posições tão radicais num entrevistado...
Posições radicais? Imagine que você é vítima de um menor que não tem limites. Você vai defender a pena de morte para ele.

Mas, deputado, eu já fui assaltada por menor de idade, com revólver, e nunca defendi pena de morte para menores. Defendo que eles sejam reabilitados, ressocializados. 
(risos) Isso é porque você não morreu, não ficou aleijada. Por que eles não assaltam na favela? Porque lá tem a pena de morte.

Não será porque na favela a condição financeira dos demais é a mesma da dele?
É? Então, porque ele não estupra na favela, que tem meninas muito mais bonitas que na cidade? Porque ele sabe que na favela tem pena de morte. 

E sobre essa polêmica questão da homossexualidade. O senhor insiste em colocar regras em comportamento, em orientação sexual.
Olha, vou te falar. Você sabe quem é a Ministra especial da Secretária das Mulheres, Eleonora Menicucci? Ela assumiu o cargo (em fevereiro de 2012) e o que foi que ela falou na primeira entrevista? Você acha que ela falou sobre a saúde feminina, sobre doenças? Nããããão! Ela disse: ‘não é porque eu tenho mais de 60 anos que eu não continuo a fazer sexo com homens e mulheres’. Depois ela falou. ‘Eu me orgulho que minha filha é lésbica’. Esse é o padrão das pessoas que estão no governo Dilma. Eu não tenho nada a ver com a aranha dela, mas a partir do momento que ela torna isso público, a gente tem que bater em cima.