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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Todo Filho é "Pai" de seus Pais com o passar do Tempo


Todo filho é pai da morte de seu pai
 
 
Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seus pais. 
É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.
É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.
É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.
Todo filho é pai de seus pais com o passar do tempo!
Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.
E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.
Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.
Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?
Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.
E feliz do filho que é pai de seu pai (ou de sua mãe)antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.
Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.
No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:
— Deixa que eu ajudo!
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito e ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
— Estou aqui, estou aqui, pai!
O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali. 
 
Do poeta gaucho Fabrício Carpinejar 
 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Na China homem viveu 20 anos em bueiro para pagar estudos dos filhos Site liberdade econômica

Na China homem viveu 20 anos em bueiro para pagar estudos dos filhos


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Fonte: Exame
Pequim, 8 dez (EFE).- As autoridades de Pequim, na China, descobriram que um homem passou cerca de duas décadas vivendo debaixo da terra, com uma tampa de bueiro como única porta, com o objetivo de economizar dinheiro e pagar os estudos de seus filhos, informou neste domingo a rede de televisão estatal ‘CFTV’.
O homem, de sobrenome Wang e de 53 anos, praticamente faliu com as altas multas que teve que pagar ao governo por violar a política do filho único vigente no país (ele tem três filhos) e decidiu se mudar do campo para a capital Pequim e ganhar a vida lavando carros.
Para reduzir ao mínimo suas despesas e poder investir todo o seu modesto salário nos filhos, Wang viveu em um sistema de esgoto a dois metros da superfície, junto de encanamentos e tendo como bens um saco de dormir, cobertores e uma garrafa térmica.
O caso de Wang chegou às autoridades da cidade, que selaram a tampa de esgoto pela qual o homem entrava em sua ‘casa’ e lhe ofereceram um alojamento temporário, advertindo a população que viver nestas precárias instalações debaixo da terra pode ser muito perigoso.
Embora o caso de Wang chame atenção pelo longo período de tempo em que ele viveu em condições sub-humanas, boa parte da imprensa da China destacou que não se trata de um caso único no país, e que muitas pessoas sem recursos vivem no subsolo das cidades chinesas.
Avatar de Jefferson Ulisses
Criador e Articulista do Liberdade Econômica
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