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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Small bump. E de como uma pequena saliência que você nunca viu te faz chorar.




Aprendi a amar crianças desde cedo. São belas por dentro. São cheias de sonho, mesmo as que pouco os têm, no que tange a recursos.

Crianças são um modo de |Deus dizer que não desistiu da gente. Posso confirmar este fato ao observar meus filhos dormindo.

Definitivamente há algo nas crianças que vai além do físico e do intelectual e do mental, mas tangencia o divino. Muitas vezes o toca de forma clara e inconteste. E aí nosso entendimento cede e lá dentro admitimos, Deus nos vê através de seus olhos doces, inquisitivos, ágeis.

Só fui entender o que é amar alguém após cheirar o meu filho pela primeira vez. Sim, foram os meus filhos que aperfeiçoaram meu amor por crianças a um nível grandioso que eu nunca poderia sequer imaginar sentir. Governos deveriam  desistir de uma guerra para não fazê-las chorar, para não vê-las tristes, para que não pudessem perder seus pais.

Por ter nas crianças a firme impressão de que são especiais e únicas, de que são presentes do próprio Deus para nós,de forma que aprendamos as coisas que a experiência e a razão não nos podem ensinar,  seres únicos que nunca se repetirão, aves raras que já aparecem no mundo ímpares (mesmo quando gemelares) e portanto de uma raridade e fragilidade assaz incomparável, sempre vou lamentar sua perda, sempre vou chorar sua volta, pois é fato notório que apenas os  adultos vão em direção à morte, mas crianças simplesmente retornam para o lugar de onde vieram.

E a forma mais cartesiana, mais racional de admitir isso é quando dizemos que filhos é que devem sepultar seus pais, nunca o inverso, e por isso choramos abraçados a cada pai que perdeu algo que era único, que não se repetirá nunca e que era seu bem mais precioso. Não importa. Um pai que enterra seu filho tem dentro de si algo que nunca termina, elo que nunca se fecha, ferida que não cessa de latejar, mesmo que receba de Deus outra criança, ele nunca vai esquecer aquele que amou em vida e que amará para sempre, até que um dia possa reencontrá-lo.

 Crianças são frágeis e nós somos seus guardiães.

Nós somos seu porto seguro. Somos seu apoio e braço forte.Mas se Deus as pede de volta, pois todas as crianças são dEle, indubitavelmente, nós desabamos. Mesmo quando não chegamos a conhecê-las de vista. Mesmo se não tivermos a oportunidade de, no silêncio de uma sala de maternidade farejá-las e com isso, trazê-las para dentro do mais íntimo de nosso ser. Para dentro do nosso segredo, onde ninguém vai.

Eu achava que, por ter a natureza que tenho, ser como sou, só após respirar o ar exalado pelos meus filhos, sentir seu cheiro e tomar contato sensorial com suas peles, ainda cheias de restos de placenta, só após isso eu me sentiria pai, pois assim foi comigo. Ainda tenho o costume de encostar minha testa nas deles, olhar bem dentro de seus olhos e respirar o ar por eles expirado, dividindo vida e sentimento, sem que possa haver sequer  traço de razão nesse ritual.

Por sempre ter sido assim é que não compreendo a dor que senti por uma pequena saliência, não nascida, que, no momento em que recebia os atavios para em seguida ser colocada em seu pequeno caixão branco,  minha esposa me  disse que ela possuía bochechas gordinhas, tez amorenada e covinha no queixo, e que nos foi tirada da família, talvez porque precisassem dela lá em cima, mas nós não sabemos o porquê, de qualquer jeito. Por isso de vez em quando desabamos, quando ninguém nos vê, quando estamos sós, na noite, quebramos o silêncio com lágrimas barulhentas e dolorosas e amargas.

Ainda hoje choro por você, pequena saliência, menina não nascida, mesmo sem nunca ter te visto, ouvido você ou ter farejado seu cheiro com meu focinho primitivo, para só então me considerar apto a te proteger, pois era assim que devia ser, era assim que eu julgava que aconteceria comigo, mesmo assim eu sinto a falta que você não deveria me trazer,  quando procurei teu coração batendo, ele não estava mais lá e isso deveria ser o impeditivo de se formar comigo uma ligação, um elo contigo, eu quero achar que a dor em mim decorre da dor que você causou à sua mãe, que gritou ao Deus que te levou de volta pra perto dele, e a gente ainda não sabe o porquê, talvez precisassem de você lá em cima, mas não importa, eu não devia sentir a tua falta. No entanto, hoje mesmo, mais uma vez eu chorei por ti.


Dedicado aos avós, aos pais,às mães, aos tios, às tias, aos irmãos e irmãs que passaram pela experiência de ver escapar pelas suas mãos algo sobremaneira precioso e único, que nunca mais se repetirá.




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Este texto me fez chorar - O Natal não é para os covardes


Talvez eu tenha falhado comigo este tempo todo. Talvez eu tenha perguntado à Deus onde eu tenha errado. Provavelmente Ele me respondeu, através de minha esposa, de meus filhos , da minha mãe e sua resistência inabalável na luta contra a depressão, à solidão, ao despreparo para a vida moderna. 
Provavelmente eu tenha ouvido.

 Certamente eu não entendi, como verme que sou. Lembro-me perfeitamente de me "orgulhar " de ser um homem de "pouca fé", o que já na época era algo vergonhoso, hoje , então, confrontado com algo  além da Bíblia (a qual não adianta ler sem pedir ajuda a Deus para entendê-la), enche-se o cálice da miséria e da vergonha dentro de mim.

Não posso culpar Aristóteles ou Descartes por isso, seria empurrar a culpa para os mortos. a Culpa é minha tão somente e este erro causou danos irreparáveis na vida de quem eu amo.


Peço perdão. Por favor, me perdoem, tentarei não ser tão pequeno daqui pra frente.

Perdão, meu Deus. Não consegui te agradar por todos estes anos. 

E mesmo assim Tu insistes em me amar.


Sapientiam Autem Non Vincit Malitia - Foto da águia: Donald MathisMande um e-mail para o OlavoLinksTextosInformaçõesPágina principal

O Natal não é para os covardes
Olavo de CarvalhoJornal do Brasil, 22 de dezembro de 2005

Na constituição americana não há nenhum “muro de separação” entre religião e Estado. Quando Thomas Jefferson criou essa expressão, foi para proteger as igrejas contra o Estado. É só num mundo pós-orwelliano que ela pode ser usada como pretexto para legitimar a repressão estatal da religião.
Mas o confinamento mesmo de Deus na esfera “religiosa”, Sua exclusão dos debates científicos e filosóficos, que hoje até mesmo os religiosos aceitam como cláusula pétrea da ordem pública, já é uma herança mórbida da estupidez iluminista.

 O “muro de separação” entre conhecimento e fé é uma farsa kantiana erguida entre dois estereótipos.
Afinal, por que um sujeito tem fé na Bíblia? Tem porque acha que ela é a Palavra de Deus. Mas por que ele acha que ela é a palavra de Deus? É porque tem fé nela? Esse círculo vicioso exigiria uma capacidade de aposta no escuro que transcende os recursos da média humana. 

A fé não surge do nada, muito menos da própria fé. É preciso um indício, um sinal, um motivo racionalmente aceitável para acender na alma a chama da confiança em Deus. A definição mesma da “fé” como crença numa doutrina é perversão do sentido da palavra. A doutrina cristã formou-se ao longo dos séculos. Os primeiros fiéis confiaram em Jesus antes de saber nada a respeito dela. Não acreditavam numa doutrina, confiavam num homem. 

E por que confiavam nele? Ele próprio explicou isso. Quando João Batista, da cadeia, manda perguntar se Ele é o enviado de Deus ou se seria preciso esperar por outro, Jesus não responde com nenhuma doutrina, mas com fatos: “ Vão e contem a João as coisas que vocês ouvem e vêem: os cegos enxergam, e os paralíticos andam; os leprosos ficam limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e os pobres recebem boas notícias. E bem-aventurado é aquele que não se ofende comigo.” O que esses versículos ensinam é que a fé é apenas a confiança em que Aquele que devolveu a vida a alguns mortos pode devolvê-la a muitos mais.

 É um simples raciocínio indutivo, um ato da inteligência racional fundado no conhecimento dos fatos e não uma aposta no escuro. A única diferença entre ele e qualquer outro raciocínio indutivo é que a conclusão a que ele conduz traz em si uma esperança tão luminosa que toda a tristeza e o negativismo acumulados na alma se recusam a aceitá-la.

 A alma prefere apegar-se à tristeza e ao negativismo porque são seus velhos conhecidos. São a segurança da depressão rotineira contra o apelo da razão à ousadia da confiança. O que se opõe à fé não é a razão, é a covardia. Para legitimar essa covardia ergueram-se masmorras de pseudo-argumentos. No fundo delas, o leproso lambe suas chagas, o cego adora sua cegueira, o paralítico celebra a impossibilidade de caminhar. Os pobres, imaginando-se reis e príncipes, festejam a rejeição da boa notícia. 

Orgulhosos da sua impotência, adornam com o nome de “ciência” a teimosia de negar os fatos.
Mas seu exemplo não frutifica. 

Setenta e cinco por cento dos médicos americanos acreditam em curas miraculosas. Acreditam não só porque as vêem, dia após dia, mas porque sabem ou ao menos pressentem que atribui-las à auto-sugestão ou à coincidência seria destruir, no ato, a possibilidade mesma da pesquisa científica em medicina, que se baseia inteiramente no pressuposto de que auto-sugestão e coincidência não têm um poder maior que a intervenção terapêutica fundada no conhecimento racional das causas.

O maior escândalo intelectual de todos os tempos é a fraude constitutiva da modernidade, que, excluindo do exame todos os fatos que não tenham uma explicação materialista, conclui que todos os fatos têm uma explicação materialista.

A dose de miséria mental em que um sujeito precisa estar mergulhado para gostar desse lixo não é pequena. 


O Natal é o lembrete cíclico de que esse destino não é obrigatório, de que existe a esperança racional de alguma coisa melhor. Por isso há quem deseje eliminá-lo: para que o chamado da esperança não fira o orgulho dos covardes.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Feliz dia dos namorados

Este vídeo é uma homenagem à minha paciente esposa (corajosa, meio cega e maluca, inconsequente e outras coisas mais por ter tido a coragem de me escolher, claro) Alessandra.
Obrigado por você insistir em fazer parte da minha vida. você foi a melhor parte dela (tá, com algumas ressalvas, umas briguinhas e ... nada mais pegando. ).
Você me deu 2 filhos lindos e um pouco de juízo, pois sabia que eu não iria conseguir ter muito.
obrigado por ter insistido em ficar comigo

Que isto sirva de lição: O amor é mais que cego!




TE AMO.